Não É Imprensa

Não É Imprensa

#AComédiaAntesDaComédia

A fé, o riso popular e a crítica social que prepararam o teatro para o gênio de Molière

Avatar de Nunes Pires
Nunes Pires
jun 07, 2026
∙ Pago

Antes de Molière, o teatro francês era uma praça em movimento. Não tinha ainda o brilho regulado das grandes salas nem a autoridade tranquila dos clássicos. Nascia entre sinos, procissões e mercados, misturando o sagrado e o riso, a oração e a careta, o mistério da fé e a malícia do povo. A cena podia ser uma rua, um tablado, uma festa; e os atores, muitas vezes, pareciam sair da própria multidão que os assistia.

Nos mistérios medievais, Deus descia à cidade pela voz dos homens. Os santos, os anjos, os demônios e os pecadores ocupavam o mesmo espaço que os artesãos, os comerciantes e as crianças curiosas. Mas, ao lado da solenidade religiosa, crescia uma gargalhada indisciplinada. A farsa ridicularizava maridos enganados, médicos ignorantes, juízes vaidosos, velhos avarentos. O povo reconhecia ali seus medos e seus vícios, e ria porque o riso também sempre foi uma forma de verdade.

Esta publicação é para assinantes pagos.

Já é um assinante pago? Entrar
Avatar de Nunes Pires
Uma publicação convidada por
Nunes Pires
Nunes Pires, escritor e amante das artes, encontra na literatura um refúgio para seu eterno descontentamento. Entre o lirismo e a crítica, escreve como quem observa o mundo com fascínio — e uma boa dose de irritação.
Inscreva-se em Nunes
© 2026 Não é Imprensa · Privacidade ∙ Termos ∙ Aviso de coleta
Comece seu SubstackObtenha o App
Substack é o lar da grande cultura