#AFavelizaçãoMental
Transformar em normalidade o anormal não é um acidente histórico, mas um projeto político
O Brasil não vive apenas a infiltração do tráfico na sociedade — vive a sua consagração como imaginário dominante. Não se trata de acidente histórico, mas de projeto político.
À medida que o Estado-partido vai asfixiando a sociedade civil com taxas, impostos, regulações e a inflação crônica que corrói qualquer horizonte de prosperidade, o campo de subsistência do trabalhador é transferido, pouco a pouco, para duas esferas igualmente tóxicas: o narcotráfico e a esmola estatal. A primeira oferece um simulacro de poder e ascensão social; a segunda, um cheque de dependência perpétua. Ambas convergem para a mesma lógica de controle.
A consequência é a naturalização da “cultura da favela” como modelo aspiracional, como se o destino coletivo fosse girar em torno das economias e dos códigos do crime. O narcotráfico deixa de ser um inimigo externo e se torna um elemento constitutivo da vida nacional — celebrado em música, estética, narrativa. Não por acaso, a política oficial já dialoga com esse universo, seja pela leniência deliberada, seja pela retórica do “respeito à comunidade”.
Trata-se, em última instância, de uma “favelização mental”: a internalização da lógica do cativeiro. Tal como na Síndrome de Estocolmo, a população, amputada de alternativas de emancipação, aprende a amar seus algozes — o traficante que distribui migalhas de poder e o Estado que distribui migalhas de pão.
O resultado é um povo que, privado de autonomia, passa a defender o cárcere como se fosse liberdade. Um país que transforma em normalidade o anormal, e que encontra no tráfico e no assistencialismo duas faces de um mesmo mecanismo de domesticação coletiva.
A plutocracia conseguiu escravizar involuntariamente parte da sociedade. A lava jato foi uma oportunidade de ouro perdida. Agora quando surgirá uma nova oportunidade só os Deuses sabem.
Excelente e claro: nosso futuro de melda.