#Agamenon: Já fomos bons nisso
A seleção desce do ônibus como quem vai no cartório
Virando as páginas digitais só se fala de outra coisa: Copa do Mundo. Além das “análises” aprofundadas, opiniões abalizadas e definitivas de “especialistas em qualquer assunto”, ainda tenho que me informar sobre os derivativos do tipo: como se vestem as esposas dos jogadores, o Vinicius Jr. reatou com a Virginia Fonseca? O goleiro de Cabo Verde foi criado pela avó (e surpreendentemente não virou veado!) e outros casos lacrimosos de “superação” e dificuldades que os jogadores e suas famílias atravessaram até chegar “no leite e mel“ da Canaã do futebol bilionário.
Nas semana do campeonato Gianni Infantino, o presidente da FIFA, se comporta como um grande estadista mediando as Nações em disputa.
Aqui no Brasil os publicitários, os influencers e empresários de mídia vendem ao torcedor a ilusão do Hexa, coisa que para mim, por enquanto, não passa de um radical químico composto pela ligação de 6 átomos de Carbono e Hidrogênio (C6H14).
Chovem anúncios estrelados por jogadores e afins. Se a performance dos “craques” em campo for a mesma que apresentam nos “reclames”, o título já está no bolso.
O mais assustador é quantidade de anúncios de plataformas de apostas, as famigeradas Bets. Sem dúvida estão entre os maiores anunciantes do Brasil. Já está mais do que provado que os algoritmos levam o apostador a compulsão obsessiva. Trata-se de um problema de saúde pública. Então, lembro do tabaco. O tabaco também mata e, apesar do lóbi gigantesco da indústria, foi proibida toda e qualquer publicidade de cigarros e afins. Resultado: a queda dramática no consumo de cigarros. Porque não fazem a mesma coisa com as Bets? “Alguns Alguéns” ganham muito com isso, eis resposta.
Mas o diabo está nos detalhes e veste Prada. Gosto muito de observar o time brasileiro descendo do ônibus em direção ao vestiário. Todos usando portentosos fones de ouvido, tem o olhar morno, distante, sorna e distraído, como um funcionário da burocracia estatal iniciando mais um dia de trabalho em direção da sonhada aposentadoria. Adeus às ilusões.
Quando me perguntam sobre o estado do futebol brasileiro, costumo responder do mesmo jeito quando me indagam sobre assuntos de sexo:
— Já fui bom nisso.
Marcelo Madureira é humorista do Casseta & Planeta e, junto com o Hubert (também do Casseta & Planeta) produzem conteúdo para o canal do jornalista Agamenon Mendes Pedreira no Substack. Chega lá e “assassina”.






Especialistas em qualquer assunto abundam no bananal.