#AmorPelaDitadura
Caminho seguro do cinema pro Oscar: voltar sempre ao mesmo capítulo da história
Entretenimento precisa ser engajado sempre?
No ano passado, Ainda Estou Aqui ganhou o Oscar e virou símbolo de uma geração de filmes que revisita os anos de chumbo.
Neste ano, tivemos O Agente Secreto também ambientado no mesmo período histórico. Representou o Brasil na cerimônia em quatro categorias, mas não levou nenhuma estatueta.
E, curiosamente, vem aí Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro que ainda nem estreou, mas que eu não duvido que também toque nesse período ou em suas consequências políticas.
Décadas se passaram, mas a ditadura continua ditando pautas no cinema, na internet e na política.
De um lado, parte da esquerda insiste em relembrar os anos de chumbo. E é justo lembrar. Aquela foi uma fase sombria do país, marcada por censura, perseguições, prisões e tortura. Não é um capítulo que deve ser apagado da história.
Do outro lado, uma parcela da direita também parece viver obcecada pela mesma palavra, só que aplicada ao presente. Pergunte aos representantes mais radicais da direita se acreditam que estamos vivendo hoje sob esse regime. Não, nem precisa perguntar. Você já sabe a resposta.
De um lado, a esquerda reconta a história da ditadura. Do outro, a direita afirma que estamos vivendo uma nova.
O problema é que as duas narrativas partem de exageros
Se estivéssemos realmente sob uma ditadura hoje, dificilmente estaríamos discutindo livremente escândalos políticos, decisões judiciais ou denúncias envolvendo autoridades. A imprensa não publicaria investigações sobre grandes escândalos, sobre empresários, sobre ministros do Supremo ou sobre familiares de presidentes.
Ditaduras de verdade não convivem bem com esse tipo de barulho.
Ao mesmo tempo, também não faz sentido transformar a ditadura militar no único eixo narrativo para explicar o Brasil atual.
O país não começou em 1964 e nem terminou em 1985.
Temos problemas gigantescos acontecendo agora. Basta acompanhar os noticiários.
Tá bom, quer contar a história do país? Histórias malucas não faltam. Não dá pra esquecer o médico nazista Josef Mengele, o “Anjo da Morte” de Auschwitz, que passou anos escondido no Brasil e morreu afogado numa praia de Bertioga em 1979.
Só essa história já daria um roteiro de cinema.
Um dos homens mais procurados do planeta vivendo escondido no litoral paulista. Imagina a cena: um nazista tomando uma caipirosca na Boracéia?
Mas o debate público parece preferir viver nos anos 60, como se o país estivesse preso num remake eterno daquela época. No cinema e na vida real.
Talvez porque o passado seja mais fácil. Ele já tem roteiro pronto, vilões definidos e até trilha sonora conhecida.
O presente é muito mais confuso. E o futuro exige mais responsabilidade.
A história da ditadura precisa ser lembrada para que não se repita. Mas também precisa deixar de ser usada como lente para explicar absolutamente tudo.
Porque um país que passa o tempo inteiro discutindo o passado corre o risco de não perceber o que está acontecendo no presente.
E, principalmente, de não construir o futuro.
O Brasil é muito maior do que a ditadura!




É simples: quando não se tem nada a oferecer no presente, vive-se de relembrar o passado...
Já deu ditadura, já deu favela, já deu lgbt, o cinema brasileiro só sabe falar desses temas, quando não mistura os três… cansa!