#ApitoDeCachorro
Teria a carta lida por Flávio sido, não um erro, mas um lance calculado?
Flávio Bolsonaro com o documento de maioridade emitido pelo pai
Nunca vi tanta gente discutindo uma carta desde Harry Potter.
E chama atenção: em pleno 2026, o que mais viralizou numa segunda-feira foi um manuscrito.
Mas a pergunta que interessa não é se a carta lida por Flávio Bolsonaro desrespeitou ou não a decisão do ministro Alexandre de Moraes.
É outra: será que Bolsonaro e o filho não sabiam exatamente o que podia acontecer?
Porque não foi a primeira vez.
Em 2025, Moraes proibiu Bolsonaro de usar redes sociais, inclusive por terceiros.
Dias depois, um pronunciamento dele foi divulgado por filhos e aliados num ato público. O ministro entendeu que houve descumprimento da cautelar. A resposta veio na forma de prisão domiciliar.
Agora, de novo: o Flávio me aparece numa live lendo uma carta escrita pelo pai?
Ou seja, eles já sabiam qual era o risco de driblar as restrições do STF.
É aí que a história fica interessante.
Essa não foi a primeira carta do período.
Meses antes, Bolsonaro tinha escrito outra, pra Michelle, no aniversário de casamento do casal, lembra? Repercutiu nas redes, mas não gerou nenhuma reação jurídica.
A diferença entre as duas é o assunto. A primeira era quase um cartão de Dia dos Namorados.
A segunda já tinha cheiro de convenção partidária, com Bolsonaro chamando Flávio de “meu pré-candidato” e pedindo que os aliados “se empenhem” por ele.
Na Justiça, o objetivo de quem responde a um processo costuma ser evitar a punição. Na política, às vezes a punição faz parte da estratégia.
No xadrez tem um lance curioso. Entregar um peão pra ganhar posição é comum.
Mas ninguém sacrifica a rainha sem imaginar que enxergou alguma vantagem.
Será que foi isso que aconteceu aqui? Será que resolveram sacrificar uma rainha?
Imagine dois cenários.
No primeiro, a carta passa como passou a carta pra Michelle: notícia de um dia, sem desdobramento.
No segundo, ela provoca reação dura da Justiça, domina o noticiário, a direita volta a falar em perseguição, a base se mobiliza.
Percebe o paradoxo? Às vezes a pior consequência jurídica produz o melhor efeito político.
Aliás, a carta pode gerar outro problema pro Flávio. Moraes acionou o Ministério Público Eleitoral pra apurar possível propaganda eleitoral antecipada, já que trechos da carta soaram como pedido explícito de voto. A punição? Uma multa, uma pequena fortuna de até 25 mil reais!
Foi tudo estratégia, ou eles simplesmente decidiram correr esse risco de novo?
Vai ver é viagem minha, só eles sabem.
Mas fica um princípio que vale além dessa carta: na política, às vezes o fato nem é o movimento. É a reação ao movimento.
Por isso esse texto nem é sobre uma carta. É sobre quando uma derrota jurídica pode virar combustível político.
Talvez a pergunta não seja se a carta foi um erro. Talvez seja outra: foi um erro, ou um movimento pra ganhar o jogo?






...e a ausência de resposta da JUSTIÇA , qq uma, sobre o contrato de 129 milhões do Vorcaro com a Xandona , o que será? "Caguei pra voces", "A JUSTIÇA sou EU", "Tô nem aí", "Não tem a menor importância ", " VOCÊS não têm nada a ver com isso" ..????
Excelente questionamento, Oscar. Apesar das aparências, não devemos subestimar ninguém. Vamos ver os desdobramentos.