#APoesiaContraABarbárie
Perdemos a capacidade de compungirmo-nos diante do cotidiano violento
“Parem de jogar cadáveres na minha porta. Tenho que sair - respirar.” Affonso Romano de Sant’Anna
Difícil está acompanhar as notícias do dia a dia e não se sentir sufocado por tragédias e casos acachapantes de violência. Se em tempos passados erámos poupados de cenas gráficas da barbárie, restrita a tabloides sensacionalistas que estampavam em suas capas fotos que sangravam ou a programas televisivos especializados em explorar a miséria humana, hoje, a qualquer rolar de imagens e vídeos no celular, nos tornamos testemunhas involuntárias da brutalidade mundana em toda sua bestialidade.
A violência sempre esteve presente na sociedade brasileira. O que espanta atualmente é a naturalidade com que aceitamos isso. Perdemos a capacidade de compungirmo-nos diante do cotidiano derramar de sangue. Sufocamos nossos sentimentos naturais de consciência para sobreviver a mais um dia no inferno, e assim, sem notar, caímos ainda mais no ciclo de violência.