#BotãoÚnico
O alerta falso da Defesa Civil não assustou pelo conteúdo, mas pelo que revelou sobre o sistema que o enviou.
As pessoas indo em peso no chatgpt perguntar o que é misantropia
Muita gente no Brasil, assim como eu, tomou um susto com um alerta extremo da Defesa Civil. Se você recebeu e não acordou, parabéns. Se fosse um alerta de meteoro, você iria morrer dormindo e feliz.
A mensagem que recebi foi “misantropia”, que não é um concurso de beleza sustentável.
Misantropia é uma aversão à raça humana. Se você é antissocial, provavelmente se sentiu confortável com a mensagem.
Teve gente que achou que era uma mensagem alienígena. Outros acharam que era um ataque de Inteligência Artificial. A explicação é mais simples: segundo as investigações, um ser humano usou credenciais para disparar alertas em várias partes do país.
Não me preocupei com o alienígena, nem com a IA, nem com o hacker. A preocupação foi outra: como uma única credencial consegue ter tanto poder?
Esse alerta toca mesmo com o celular no silencioso. Foi feito para salvar vidas, mas em alguns casos pode até impedir.
Imagina duas pessoas tentando ter um filho e recebem um alerta:
“Eu sei o que você está fazendo!”
Se fosse comigo, eu parava de transar na hora.
E aí surge um paradoxo: quanto mais eficiente um sistema é numa emergência, mais perigoso ele se torna quando falha. O problema talvez nem seja esse alerta falso. O problema pode ser o próximo alerta verdadeiro.
É o que ensina a fábula do Menino e o Lobo, de Esopo: ninguém acredita num mentiroso, nem quando diz a verdade. E confiança é exatamente o que faz um alerta funcionar.
Pense no potencial disso num momento mais delicado. Se alguém recebe um alerta extremo da Defesa Civil anunciando a Coca-Cola, é ridículo. Mas e uma mensagem dizendo que um candidato foi preso na madrugada da eleição?
Não é hipótese. Em 2018, no Havaí, um alerta falso de míssil balístico deixou a população em pânico por 38 minutos. Teve gente escondendo os próprios filhos dentro de bueiros. Ninguém parou para conferir a fonte. Não dava tempo.
A desinformação mais perigosa nem sempre é a que convence as pessoas de algo falso. Às vezes basta gerar caos.
O medo não precisa ser de alienígenas ou de Inteligências Artificiais querendo se vingar. O medo é descobrir que existe um botão capaz de enviar uma mensagem para milhões de brasileiros ao mesmo tempo. E que alguém aparentemente conseguiu apertar.
Enquanto a Defesa Civil reforça a segurança, a gente vai reforçando a ansiedade.
Depois dessa, imagina receber isso de madrugada:







Li em comentário na Faia de SP um leitor dizer que foi teste para o Trump violar as urnas e dar a vitória para o Flávio. Caso grave de dissonância cognitiva.
O mais assustador é o quão digitalmente vulneráveis estamos!