Silvia Abravanel com o rosto mais lavado que lençol de motel.
Eu não vi ninguém falando disso aqui em lugar nenhum, hein?
Já assistiu ao vídeo de campanha da Silvia Abravanel? Eu pensei que o maior problema dele fosse a falta de criatividade. Aí eu percebi que era muito pior do que eu imaginava.
É de uma simplicidade tosca. Ele começa com a frase “eu escolhi entrar em campo”. E a imagem ilustrativa é ela entrando em campo.
É pobre no conceito e na execução.
E não parece ser exatamente uma candidatura sem recursos depois dessa notícia:
Mas o que eu quero mesmo falar é do que segue:
“Eu escolhi entrar em campo para lutar por você, pelas mães atípicas, pelas pessoas com deficiência.”
E logo depois, aparece uma imagem de um cadeirante e uma menina que aparenta ter Síndrome de Down gerados por IA. Dá pra perceber pelo rosto liso e sem textura.
Ou seja, pra representar as pessoas com deficiência, a campanha decidiu fabricar pessoas com deficiência?
Sílvia Abravanel é candidata a deputada federal, tem projeção nacional e estrutura pra produzir uma campanha. E, mesmo assim, perdeu a chance de contratar, pagar e dar visibilidade pra elas.
As pessoas com deficiência aparecem como imagem, mas são dispensadas como seres humanos.
Aí ela diz:
“Ninguém entra em campo sozinho. É hora de jogar junto.”
Só esqueceram de colocar pessoas com deficiência de verdade entrando com ela em campo.
Um dos princípios históricos do movimento é “Nada sobre nós sem nós”.
E a campanha conseguiu fazer exatamente o contrário: falou sobre elas sem precisar delas.
Os números são:
14,4 milhões de brasileiros com alguma deficiência: 7,3% da população com 2 anos ou mais, segundo o Censo 2022.
5,2 milhões com muita dificuldade ou impossibilidade de andar ou subir degraus. Isso não significa que todos utilizem cadeira de rodas.
E uma estimativa entre 250 mil e 300 mil pessoas com síndrome de Down.
Não faltam pessoas com deficiência no Brasil. Não faltam cadeirantes. Não faltam pessoas com síndrome de Down. O que falta é espaço.
Aí você vai no Instagram dela e tá escrito:
“Em defesa da INCLUSÃO e direitos das pessoas com deficiência.”
Defendeu incluir pessoas com deficiência na política, mas esqueceu de incluir essas pessoas na própria campanha.






