#Cinema: Hitchcock e os dramas existenciais da geração Z
Do clássico do suspense às angústias digitais contemporâneas
Alfred Hitchcock compreendeu antes de todos que a angústia não nasce do choque, mas da espera; não do grito, mas do silêncio. Décadas depois, a Geração Z cresceu nesse mesmo intervalo inquietante — entre notificações, crises globais e promessas adiadas. Ambos aprenderam cedo que o perigo raramente se anuncia: ele se insinua, observa, se acomoda.
Nos filmes de Hitchcock, ninguém está realmente sozinho. Sempre há um olhar à espreita, uma janela aberta, uma sombra que atravessa o quadro. A Geração Z vive sob o mesmo regime de visibilidade permanente: expõe-se para existir, mas teme o julgamento invisível. O voyeurismo de Janela Indiscreta tornou-se cotidiano; a curiosidade, uma armadilha moral. Olhar demais cansa. Não olhar parece impossível.


