#DinheiroPraTodoLado
A gente já entendeu que o papel de Vorcaro era ser apenas um laranja no esquema de corrupção que jorrava mais dinheiro em Brasília do que petrodólares no Oriente Médio
O personagem de Daniel Vorcaro apareceu no centro da cena política como um banqueiro poderoso, disposto a comprar influência no varejo. Terminou a história como uma espécie de caixa eletrônico que todo mundo recorria para pegar uma grana no final de semana.
A gente já entendeu que o papel de Vorcaro era ser apenas um laranja no esquema de corrupção que jorrava mais dinheiro em Brasília do que petrodólares no Oriente Médio.
O Banco Master é o maior escândalo de fraudes financeiras da história do sistema bancário brasileiro. Vorcaro é acusado de gestão fraudulenta e temerária, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e crimes contra a economia popular. Quer dizer que ele fez o trabalho completo: manipulou as regras do sistema financeiro para lavar dinheiro do crime organizado e já aproveitou o esquema para assaltar os fundos de pensão dos Estados e também enganar o investidor privado.
É esse dinheiro que está financiando o filme dos filhos do Bolsonaro. Segundo Karina Ferreira da Gama, dona da produtora responsável pelo filme, a grana do Vorcaro bancou mais de 90% da produção – aproximadamente 13 milhões de dólares (R$ 65,7 milhões).
Mas a lista de beneficiados pelo esquema fraudulento do Banco Master não termina na pornochanchada do capitão imbrochável.
Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, doou 3 milhões de reais à campanha de Jair Bolsonaro em 2022. E mais 2 milhões para a campanha de Tarcísio para o governo de São Paulo.
Mas Vorcaro era democrata. Ele também distribuiu alguns milhões para a facção política rival. Foram 14 milhões para a consultoria de Guido Mantega, ex-ministro petista. Mais R$ 12 milhões para a empresa ligada à família de Jaques Wagner e mais 6 milhões para o escritório da família do ex-minitro do STF e da Justiça do governo Lula, Ricardo Lewandowski.
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Na lista de Vorcaro ainda figuram Michel Temer, Henrique Meireles, ACM Neto, Antonio Rueda, Fabio Wajngarten, Ratinho Jr. e mais uma dúzia e meia de coadjuvantes.
No fundo, talvez esse seja o retrato mais honesto do Brasil contemporâneo: políticos que se apresentam como inimigos mortais diante das câmeras, unem-se em amizade ao banqueiro que distribui dinheiro como um caixa eletrônico da Praça da Sé.
Flávio Bolsonaro justifica suas mensagens e pelo menos uma visita íntima quando Vorcaro já estava preso, dizendo se tratar de dinheiro privado. Ele tem razão. É o dinheiro privado, do povo que trabalha e paga impostos, que sustenta toda a putaria organizada por Vorcaro ou por algum outro laranja, no eterno esquema de corrupção que jorra mais dinheiro em Brasília do que petrodólares no Oriente Médio.





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