#EmDefesaDaMinhaFakeNews
Não porque ela estivesse certa, mas porque uma sociedade livre depende do direito de estar errado
Preciso fazer uma mea culpa. Profetizei que Lula não seria candidato à presidência. Estamos no meio de julho e tudo indica que não há plano B para o PT e que Lula IV é (mais que) uma possibilidade no horizonte. Futurologia não é o meu negócio.
Uma vez mais, mostrei-me um péssimo profeta e acabei escrevendo um texto que, em retrospectiva, tornou-se uma fake news. Ao errar — ao fazer papel de ridículo em público — peço que os leitores, autoridades e algoritmos me proporcionem o valor civilizatório de permitir que as pessoas estejam erradas. Não me bloqueiem. Não me processem. Não apaguem o texto que escrevi.
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Durante séculos, aprendemos que a melhor resposta para uma ideia absurda — como a minha profecia furada de que Lula não seria candidato — era outra ideia. Hoje, porém, cresce a convicção de que algumas ideias não devem ser respondidas, mas apagadas, desmonetizadas, censuradas ou seu autor judicialmente processado. A ideia nem precisa deixar de existir; basta que ela se torne custosa demais para ser dita.
A esse tipo de censura difusa, muitas vezes invisível, eu chamo de autoritarismo líquido. Difuso porque não vem apenas de onde historicamente sempre veio — do Executivo estatal (seja na figura do imperador, rei, presidente ou ditador) — mas vem do STF, dos anunciantes, das plataformas, dos algoritmos e até mesmo dos usuários das redes. Cada censor desses se julga capaz de diferenciar a mentira de hipótese, a ficção do erro honesto, a provocação da sátira. A verdade, entretanto, é que censor algum tem essa capacidade.
Toda geração acredita ter encontrado uma justificativa moral para limitar certas ideias. No século XVI, por exemplo, era a heresia. No século XX, era a segurança nacional (como no caso da nossa ditadura militar de 64). Cada época escolhe palavras sagradas diante das quais a liberdade deve se ajoelhar. As de hoje, em pleno século XXI, são a defesa da democracia, o combate à desinformação e ao discurso do ódio.
Foi diante dessas palavras que o STF decidiu alterar a interpretação do Marco Civil da Internet, ampliando a responsabilidade das plataformas em relação ao conteúdo de terceiros. Pelos mesmos motivos, o comediante Léo Lins foi condenado a 8 anos de prisão por ter contado piadas consideradas “preconceituosas”. A condenação de Lins foi revertida na segunda instância, mas — assim como a alteração do Marco Civil pelo STF — acabou por incentivar o chamado chilling effect, ou seja, a autocensura por medo de represália.
A verdade é que a liberdade de expressão não existe para proteger ideias razoáveis, porque tudo aquilo que é considerado razoável nunca precisa de proteção. A liberdade de expressão existe para proteger justamente as ideias que parecem absurdas. Afinal, dizer absurdos conecta literatura, história, ciência, filosofia e política pelo simples fato de que a imaginação é a condição para a cultura. Homero, Copérnico, Darwin, Einstein. A civilização inteira nasceu de pessoas dizendo coisas aparentemente absurdas.
Eu não quero me perguntar “isso pode ser dito?” Eu quero me perguntar “isso merece ser dito?” Não exijo o direito de estar certo. Tal como Menocchio, o moleiro italiano descrito por Carlo Ginzburg em O Queijo e os Vermes, quero apenas o meu direito de parecer ridículo.




Sobre o juridiquês, segue o que diz a Constituição ( Que Deus a tenha!) no artigo 5•:
“IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;”
MAS! Vem o Tribunal, acima do bem e do mal, e legisla por meio de controle de constitucionalidade, dizendo que não é bem assim .
Institucionalizamos a censura bananeira, seja pelo Poder Executivo, seja pelo Judiciário. Deixamos por isso mesmo ?
Eu me lembro que escrevi e-mail e enviei para todos os gabinetes dos deputados quando da votação do PL da Censura.🤡
No entanto, cansei da batalha , pessoal. 💀Sinceramente, a vida é muito curta para lutar pelo Brasil.
No mais, sigamos falando enquanto podemos. 💪🏻
Lembrem-se sempre : baixa expectativa e muito bom humor! 😸🤗💪🏻
Adorei a reflexão !
Eu sigo errando, pecando 😈 e sem arrependimentos …
Como SEXTOU e tem Copa amanhã, vou compartilhar a letra desta música. Minha tia conta que eu adorava quando era criança:
“Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal
Tout ça m'est bien égal
Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé
Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux
Balayé les amours
Avec leurs trémolos
Balayé pour toujours
Je repars à zéro
Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal
Tout ça m'est bien égal
Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Car ma vie
Car mes joies
Aujourd'hui
Ça commence avec toi “.
( Edith Piaf)
É isto, acender o fogo e seguir vivendo ! 🔥
Agora, partiu francês ! Acordei inspirada hoje porque tive bons sonhos, rs.
Bom fim de semana, pessoal ! Domingo tem Messi ⚽️👀😂!