#FiadoresDaDemocracia
Se agem como agiotas, é só para que possam pagar a fiança mais tranquilamente
Todos nós sabemos que a democracia é um objetozinho precioso, bem guardado num cofre no subsolo da Corte dos Supremes.
Para render dividendos desse lindo tesouro, o Brasil passou a operar numa espécie de Pirâmide Ponzi institucional. No topo, os suprêmicos emitem promessas de abundante democracia sem lastro na lei, a partir do mais sábio e singelo arbítrio, ou melhor, respeito ao rito. A imprensa atua como a corretora desse ativo, garantindo a cotação da imagem suprêmica, mas só enquanto os dividendos de influência permanecem alinhados. Na base dessa pirâmide, os milhões de pagadores de impostos oferecem a audiência e a passividade bovina que financia o esquema todo.
Diante de um cofre escancarado e que parece completa e perfeitamente vazio, os nossos suprêmicos, com as togas imundas e puídas de quem passou a noite na orgia, ou melhor, na guerra pela democracia, precisam se manter firmes e fortes na pose de guardiões do tesouro. Muita gente até enxerga no vácuo do cofrinho uma estrelinha democraciosa brilhando. Como o brasileiro não desenvolveu muito bem a republicanice, nem o hábito coletivo da autocontenção, é preciso um poder poderoso para nos guiar e controlar. Aceitamos isso com bastante alegria subserviente.



