#HavaianasDoPorchat
Baixaria na Embaixada?
É impressionante como a direita brasileira é um reduto de gente tosca e infantiloide. Não é à toa que um monte de “patriota” acabou preso: acreditaram em fanfic de tiozão de Zap e em estratégia de general de pijama no Telegram.
Qualquer um monta nesse gado. E montam fácil.
O privilégio de usar essa massa de manobra não é mais exclusividade da dinastia Bolsonaro. O publicitário descolado do Leblon já entendeu que essa carne de gado é de graça e decidiu também fazer o seu churrasco.
A polêmica da vez? O comercial das Havaianas. O “crime”? A Fernanda Torres, atriz oscarizada soltou a frase:
“Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito. Não é nada contra a sorte, mas vamos combinar: a sorte não depende de você. O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés.”
O que eu acho disso?
A minha opinião não importa.
Mas se você paga essa nossa assinatura, ou gosta do que eu escrevo ou paga só pelo prazer masoquista de me xingar. Então, eu te devo essa.
Lá vai.
Eu sou publicitário, sabia?
Como profissional, eu tiro o chapéu — e as sandálias — para todos os que fizeram essa campanha. O texto tem aquelas camadas de sofisticação que a maioria não alcança. E quando você acerta nisso, o resultado é esse: comoção social e cliente na boca do povo. Todo mundo fala e todo mundo compra. Inclusive os imbecis que compraram o chinelo só para jogar fora e filmar. (Será que esses gênios processam que a compra deles conta como sucesso de vendas? O caixa da Havaianas não tem ideologia, ele só quer o dinheiro). A campanha foi um golaço.
Como consumidor?
Achei a mensagem boa.
Você chega num país de gente supersticiosa, que se veste de branco como se fosse santo, pula ondinha igual sapo e não deixa o chinelo virado para a mãe não morrer, e manda a real: esquece a sorte e vai trabalhar. Entra com os dois pés e constrói o teu destino, porque pular onda não paga boleto. É uma baita mensagem.
A parte da sacanagem — o duplo sentido de colocar uma “esquerdista” falando sobre “pé direito” — foi o tempero, a isca perfeita para pautar a discussão em tudo que é boteco e grupo de família.
Uma propaganda poderosa.
Parabéns para todos os envolvidos.
Aí entra o Porchat, querendo sua fatia do bolo.
O cara fez as graças dele direto da Itália, hospedado na aba do amigo embaixador em Roma (agora, inclusive, tá explicado como esse “ateu de vitrine” e anti-cristão confesso conseguiu a sua foto puxando o saco do Papa naquela vez: o QI é forte).
O que eu acho dele zoando os direitistas?
Como comediante, tem que zoar mesmo. A reação dos bolsonaristas foi patética, um suco de vergonha alheia.
Para um povo que enchia a boca para falar que era contra o “mimimi” e a favor da liberdade de expressão irrestrita, eles se revelaram uns chorões de marca maior. O auge da rebeldia desses bestas nesse caso foi comprar o produto para destruir ou ficar pulando na frente da loja igual criança birrenta. Não importa o lado: militante que coloca idolatria política acima do cérebro não tem senso de humor e muito menos senso de ridículo.
Então, deixa o Porchat zoar. O cara usou a estrutura da embaixada para ganhar biscoito da sua bolha do Leblon? Usou. Talvez ele até feche uma publicidade puxando esses sacos. Ele que seja ousado e faça a piada que quiser. Tá certo ele.
O problema não é a piada.
O que me pega no Porchat não é a coragem para fazer graça. É a covardia depois que a graça é feita.
Não é a primeira vez. E aqui, novamente, o sujeito que politiza até piada com gorda, o cara que vai no Roda Viva cagar regra dizendo que o politicamente correto é a salvação, dá para trás e finge demência. Finge que não estava politizando a propaganda. Cinicamente, pede que parem de fazer exatamente o que ele acabou de fazer.
O cara literalmente interrompeu o Natal dele e usou as instalações diplomáticas para fazer gracinhas partidárias. E pede que ninguém faça o mesmo ou reaja a isso.
Ele não teve nem coragem de pedir desculpas e nem teve coragem de assumir que fez mesmo e daí. Simplesmente fez um discurso cínico criticando quem faz exatamente aquilo que ele acabou de fazer.
Daqui 10 dias faz um ano que eu falei sobre como o sujeito é macho o suficiente para gravar vídeo em embaixada criticando um governo que acabou há quatro anos e cujo líder está inelegível e preso. Mas, até agora, não teve a hombridade de tecer uma única crítica a qualquer cagada que o Lula fez.
Veja aqui:
O Porchat não está começando o ano nem com o pé esquerdo, nem com o pé direito.
Está começando mais uma vez, com o rabo entre as pernas.








O que penso a respeito desse episódio, postei na minha rede social assim:
HAVAIANA$$$
Tenho 2 havaianas em Angra e 2 no Rio. Uma para usar em casa e outra para sair na rua. Tenho visto algumas postagens em que jogam esse chinelo no lixo. Não farei isso com as minhas. Eu as comprei com o dinheiro do meu trabalho digno e honesto. Vou usá-las até gastar. Mas não compro mais! Vou optar por outra marca. Não quero meu dinheiro sustentando essa corja de bandidos que assaltam o dinheiro público. Claro, sei que continuarei sendo roubado muito mais do que o custo dessas sandálias. Mas ao menos é o que está ao meu alcance no momento fazer.
O Brasil está sendo saqueado DE NOVO por essa quadrilha do PT que colocaram de volta no poder. Essa culpa eu não carrego! Depois de inúmeros escândalos como Mensalão, Petrolão, assalto aos fundos de pensão das estatais, e agora o mais DESUMANO ROUBO que fizeram aos aposentados do INSS. E mais escândalo do Banco Master envolvendo… ministros da Suprema Corte!!!!!
E sempre esses irmãos Batista da JBS se enriquecendo com uso indevido do dinheiro público através da corrupção.
Vou resolver algo com esse meu ínfimo boicote com a marca?
Sei que não!
Mas imagine só se isso e muito mais se espalhe pelo país com pessoas conscientes de seu papel na sociedade?
Já seria um bom começo!
E vamos entrar com o pé DIREITO sim, em 2026!!
Perfeito o artigo!