#HerançaArmada
Renan Santos teve uma recaída no discurso de segurança pública bolsonarista
Não é só o Flávio que tá usando discurso do Jair…
O Partido Missão escolheu uma imagem forte para o lançamento da candidatura de Renan Santos à Presidência: um boneco de pelúcia em formato de onça, mascote do partido, estampado com a frase “Prendeu, matou”.
Não foi só o boneco. Os ingressos custaram entre R$ 94 e R$ 7 mil.
No palco, discursando pra militância, Renan foi direto: “Ninguém vai roubar nada que é seu, porque nós vamos matar quem roubar.”
A frase soa como pena de morte para quem furta um celular. E não é força de expressão: aplicar isso na prática exigiria mudar a Constituição, porque a proibição da pena de morte para crimes comuns é cláusula pétrea, um dos poucos pontos da Carta que nem emenda constitucional pode tocar.
Só que, depois, em conversa com jornalistas, ele suavizou o tom. Chamou o combate ao crime organizado de “guerra”, disse que a polícia deve reagir com força diante de confronto armado, mas afirmou que a rendição do suspeito é o cenário ideal, justamente para evitar mortes.
No palco, promessa de execução. Na coletiva, quase a definição de legítima defesa. Duas falas, no mesmo dia, para dois públicos diferentes.
O timing do slogan também não foi por acaso. Uma pesquisa BTG/Nexus divulgada dias depois do evento mostrou que a segurança pública é o maior problema do país para 30% dos brasileiros, à frente de saúde e corrupção.
O Missão escolheu a ferida mais aberta e radicalizou a linguagem em cima dela. Medo vira voto.
O partido tenta se vender como uma direita nova: mais preparada, menos dependente de sobrenome de família.
Mas em segurança pública, troca o rótulo e mantém o conteúdo. “Prendeu, matou” não soa como alternativa ao bolsonarismo. Soa como bolsonarismo sem Bolsonaro.
Tem uma ironia por trás dessa disputa. O MBL, que deu origem ao Missão, tem histórico de idas e vindas com o bolsonarismo: apoiou Bolsonaro taticamente no segundo turno de 2018, mas rompeu com a família presidencial ainda durante o governo, em meio a suspeitas de corrupção reveladas por reportagens do Intercept.
O bolsonarismo continua existindo. Só que perdeu a liderança que dava unidade ao movimento. Flávio herdou o sobrenome e a estrutura do partido, mas não herdou automaticamente o carisma nem a ligação emocional que o pai tinha com essa base.
O Missão percebeu esse vácuo. Não está tentando moderar o eleitor bolsonarista. Está tentando herdar o espólio: as pautas, os inimigos, até a linguagem, sem o peso de um sobrenome que hoje está preso e inelegível.
Fica a pergunta: o Missão representa mesmo uma direita nova? Ou só trocou a embalagem, com um fundo eleitoral de R$ 3,3 milhões, uma fração pequena do total disponível, ao lado de ingressos vendidos a R$ 7 mil?
Porque, até agora, Flávio herdou o sobrenome.
E o Missão está tentando ficar com a herança.





Eu fico com um certo cansaço de análises do discurso preguiçosas. Querer que a precisão didática esteja presente em todos os conteúdos é não compreender a mínima função de fala: seja um slogan, seja uma explanação mais detalhada. O Oscar é inteligente, só deu os prompts preguiçosos ao tentar construir seu texto assistido por IA (Obrigado Substak pela ferramenta de checagem).
Germinando populistas num país de populistas.