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#Interludio: A Televisão venceu

A predominância da linguagem televisiva sobre a escrita não deve surpreender: somos programados pela natureza para falar e ouvir, não para ler e escrever

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Renato Corrêa
ago 05, 2026
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A televisão venceu

Quando eu era criança, diziam que a televisão iria derreter o cérebro dos jovens. Após o colégio, eu passava as tardes vendo Globo. Até hoje lembro da programação do canal daquela época. Quando me encontrava com meus amigos, jogávamos videogame. Aos finais de semana, meus pais me levavam à locadora de VHS. O entretenimento doméstico e muitas das minhas relações sociais giravam em torno da TV. E meus pais estavam certos: devo ter perdido alguns pontos de QI por causa do tubo de raios catódicos. No final dos anos 90, contudo, uma nova mídia, muito mais poderosa, começou a se popularizar.

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De início, a internet era uma espécie de antitelevisão: devido às limitações tecnológicas da transmissão de dados, a palavra escrita era a base do novo meio de comunicação de massa. Tudo parecia diferente: os fóruns, os temas, os formatos. O audiovisual dos jornais, dos reality shows e das novelas parecia coisa do passado. Estávamos entrando no novo Iluminismo do século XXI, em que todos iriam se comunicar lendo e escrevendo — muitas vezes numa segunda ou terceira língua.

E então veio o smartphone…

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