#Interlúdio: A teoria das elites
O maquiavelismo da nossa oligarquia é apenas a repetição dos vícios das oligarquias mundiais
“O mundo está novamente em marcha”, dizia Chesterton. “O problema é que no sentido contrário”. Desmemoriados, já esquecemos as barbáries do século XX e até permitimos que jovenzinhos burgueses defendam o comunismo nas redes sociais capitalistas. A esquerda, que sempre tentou derrubar o establishment, hoje se tornou o próprio establishment; a direita que sempre defendeu a ordem e o status quo, hoje pretende, através da desordem, derrubar o sistema e junto com ele o status quo.
A política, enfim, tornou-se um espetáculo patológico em que a propaganda é sempre utilizada para incutir no público a ideia de uma crise constante, que obviamente deve ser combatida com a expansão do poder, seja do grupo político que reivindica uma mudança radical, ou daquele que pretende evitar radicalmente qualquer mudança. No final, ambos prometem um sistema perfeito em que trará a justiça aos injustiçados, felicidade aos infelizes e punição aos conjurados.
A ideia de sociedade perfeita foi inaugurada por Platão, em A República. No capítulo V ele esboça uma sociedade com classes bem definidas. Duas delas, os guerreiros e guardiães, seriam designadas a viver uma vida sem propriedade privada, para que os interesses particulares não interferissem nos interesses públicos, e também sem família, sendo que os novos integrantes dessas classes seriam gerados por acasalamentos eventuais e entregues para que o Estado os formasse para exercer a função a que estavam destinados.


