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#Interlúdio: Crise de Identidade

O Ocidente não é a civilização que se julgou a origem do mundo, mas a que soube sobreviver porque aceitou resgatar a própria origem

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Diogo Chiuso
mai 19, 2026
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Nos últimos anos, ficou meio que recorrente aparecer alguém falando em Civilização Ocidental. Muita gente pretende salvar a dita cuja com meia dúzia de palavras em Latim e um voto antipetista no dia da eleição.

Mas o que é o Ocidente? Apenas um lugar no mapa, delimitado por mares antigos e fronteiras móveis? Ou uma coleção de nações que se reconhecem em certos costumes, certas catedrais e uma dúzia e meia de livros que quase ninguém leu?

Quando pronunciamos “Ocidente”, evocamos impérios, universidades, revoluções, máquinas, evangelhos, paz e guerras. Mas nenhuma dessas coisas, isoladamente, parece suficiente para uma definição mais justa.

Durante muito tempo, acreditou-se que o Ocidente fosse uma civilização segura de si, construída sobre a confiança na razão e no progresso. Atenas lhe deu o gosto pelas perguntas; Roma, o sentido da ordem e da lei; Jerusalém, a inquietação moral e a ideia de uma verdade acima dos homens.

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