#Interlúdio: Crise de Identidade
O Ocidente não é a civilização que se julgou a origem do mundo, mas a que soube sobreviver porque aceitou resgatar a própria origem
Nos últimos anos, ficou meio que recorrente aparecer alguém falando em Civilização Ocidental. Muita gente pretende salvar a dita cuja com meia dúzia de palavras em Latim e um voto antipetista no dia da eleição.
Mas o que é o Ocidente? Apenas um lugar no mapa, delimitado por mares antigos e fronteiras móveis? Ou uma coleção de nações que se reconhecem em certos costumes, certas catedrais e uma dúzia e meia de livros que quase ninguém leu?
Quando pronunciamos “Ocidente”, evocamos impérios, universidades, revoluções, máquinas, evangelhos, paz e guerras. Mas nenhuma dessas coisas, isoladamente, parece suficiente para uma definição mais justa.
Durante muito tempo, acreditou-se que o Ocidente fosse uma civilização segura de si, construída sobre a confiança na razão e no progresso. Atenas lhe deu o gosto pelas perguntas; Roma, o sentido da ordem e da lei; Jerusalém, a inquietação moral e a ideia de uma verdade acima dos homens.



