#Interlúdio: O poder comum destinado a manter os homens intimidados
Diante do radicalismo, os salvadores do mundo se acham autorizados a evocar a saída hobbesiana, exposta no capítulo 17 de O Leviatã.
Na desbotada década de 1980, ainda não existia aquecimento global, restaurantes veganos nem feirinhas de produtos orgânicos. A vida era simples, com roupas coloridas, cortes de cabelos de gosto duvidoso e muita gordura trans, além das piadas politicamente incorretas. Já a ética política se resumia em repudiar o mal encarnado numa só pessoa: Paulo Salim Maluf, o maior herdeiro do ex-governador Adhemar de Barros, que, na década de 1950, imortalizou o slogan “rouba, mas faz”.
Muitos antes de Mensalão e Petrolão, nosso futuro já começava a ser roubado pelo superfaturamento de algumas obras públicas que provavelmente ainda devemos estar pagando com juros e correção monetária.
Anos se passaram e o problema do “rouba, mas faz” foi solucionado de uma forma típica brasileira: com extinção das duas palavras depois da vírgula.


