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#Interlúdio: o que ainda nos conecta?

Nesse mundo cruel dos feeds e das atualizações constantes, chega a ser um saudosismo piegas lembrar que os intelectuais um dia se importaram em tentar explicar o mundo nos seus aspetos mais realistas

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Diogo Chiuso
ago 11, 2026
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Simone Weil escreveu O Enraizamento enquanto trabalhava para o jornal França Livre. A ideia era refletir sobre a reconstrução moral e política da França depois da ocupação nazista. O subtítulo é um tanto romântico, mas traz em si algo revelador da época em que foi pensado: “Prelúdio a uma declaração dos deveres para com o ser humano”.

O livro é bastante profundo, como todas as reflexões de Weil. Mas consegue expressar no título uma imagem simples que até parece clichê: assim como uma planta precisa de raízes para viver, o homem precisa participar de comunidades que lhe integrem com o passado que pode explicar a sua existência, e lhe permitam projetar um sentido para o futuro.

Mas talvez a melhor forma de falarmos desse livro é fazendo um paralelo com outros livros clássicos que convergem para os insights de Simone Weil.

As Origens do Totalitarismo de Hannah Arendt, por exemplo que identifica na sociedade de massas uma multidão de indivíduos atomizados, solitários e separados das instituições intermediárias que anteriormente organizavam sua relação com o mundo. O totalitarismo não recruta apenas fanáticos, mas encontra terreno fértil entre pessoas desenraizadas, cuja relação com uma identidade comunitária foi enfraquecida. Para Arendt, a solidão política e social torna o indivíduo particularmente vulnerável à ideologia, que lhe devolve, de forma artificial, aquilo que a vida concreta deixou de oferecer naturalmente: coerência, pertencimento, explicação e também um sentido existencial.

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