Não É Imprensa

Não É Imprensa

#Interlúdio: O suicídio da revolução

A esquerda se tornou a própria burguesia que se propunha a combater

Avatar de Diogo Chiuso
Diogo Chiuso
dez 20, 2025
∙ Pago

O filósofo italiano Augusto Del Noce, no final da década de 70, publicou o livro “Il suicidio della rivoluzione”, onde explica como o materialismo faz a esquerda ser engolida pela pauta liberal e ainda se tornar a própria burguesia que se propunha a combater. A tese de Del Noce é bastante complexa e paradoxal. Parte da ideia de que o cumprimento da revolução coincide sempre com o seu suicídio, pois o esvaziamento dos valores tradicionais para se estabelecer uma nova ordem acaba, necessariamente, numa recaída na velha ordem, agora já sem os valores que a fundamenta.

“A ideia revolucionária implica a união de dois momentos: o negativo, como a desvalorização da ordem tradicional, e o positivo, como o estabelecimento de uma nova ordem. O suicídio ocorre quando, no processo, os dois momentos se perdem. Então, em vez da transição para a nova ordem, temos uma recaída na velha ordem, mas, desta vez, completamente profanada com a perda de seus valores fundamentais”.
— Augusto del Noce, Il suicidio della rivoluzione.

A questão é que, elevar a práxis a um princípio fundamental, como fez Marx na sua segunda tese sobre Feuerbach, traz em si a ideia de que é preciso dedicar a vida para transformar o estado presente em função de um ideal a ser conquistado no futuro. Mas se essa transformação descartar os valores fundamentais que são inerentes à própria sociedade, restará apenas o ser humano reduzido às suas necessidades materiais.

Augusto Del Noce (1910–1989), um dos filósofos políticos mais influentes da Itália no século XX.
Avatar de User

Continue lendo este post gratuitamente, cortesia de Não É Imprensa.

Ou adquirir uma assinatura paga.
© 2026 Não é Imprensa · Privacidade ∙ Termos ∙ Aviso de coleta
Comece seu SubstackObtenha o App
Substack é o lar da grande cultura