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#Interlúdio: Quando tudo está em via de destruição

Ser racional não consiste apenas em rejeitar o que obviamente não funciona, mas em reconhecer que devemos manter as coisas que estão dando certo

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Diogo Chiuso
jan 28, 2026
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Maquiavel acreditava que “o homem que se presume totalmente bom, acaba arruinado entre tantos que não o são”. Ele rejeitava o pensamento antigo que concebia a virtude humana como um valor superior, porque só conseguia enxergar a corrupção social da sua época. É inevitável fazer um paralelo com o Brasil atual, onde é sempre difícil encontrar uma pessoa virtuosa, sobretudo no mundo político.

Mas tanto o nosso pessimismo quanto o do filósofo florentino não são novidades. Platão e Aristóteles já afirmavam ser impossível estabelecer o melhor regime ou a melhor ordem política numa sociedade dilascerada pela corrupção. No entanto, acreditavam na possibilidade de se criar um ambiente cultural em que a política fosse pautada pela justiça e pelo bem comum.

Para Maquiavel, isso era uma perda de tempo. Ele não tinha o menor interesse “nessas repúblicas ideiais que jamais existiriam”. Queria apenas explicar a estrutura da política real, por isso se esforçou para descrever as entranhas do poder com um realismo de chocar a burguesia.

Outro pessimista era Hobbes. No Leviatã, diz que “as repúblicas são dissolvidas pelas guerras intestinas, e a culpa não é dos homens enquanto matéria, mas como produtores do caos”. Também é algo muito parecido com o que Platão já dizia na República: as democracias podem sofrer com a corrupção generalizada, a ponto de a corrupção se tornar não apenas visível, mas tolerada e até mesmo celebrada por muita gente.

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