#Investigação:NomeDoWi-Fi
Se você usa sua rede de wi-fi pra provocar vizinho, este texto é pra você ficar esperto.
É proibido zuar!
Não se trata mais de corrupção, inflação, saúde ou educação. A prioridade agora é outra: defender emocionalmente o presidente da República de roteadores mal-intencionados.
Sim, chegamos ao ponto em que uma rede wi-fi chamada “Lula Ladrão” virou caso de Polícia Federal. O roteador virou suspeito e a senha será ouvida como testemunha. Se insistir no 5G, pode pegar preventiva.
Enquanto isso, o país segue funcionando normalmente, dentro do conceito brasileiro de “normal”.
O dado é oficial: 57 pedidos de investigação por crimes contra a honra de Lula, em poucos anos.
Pra efeito de comparação, Bolsonaro teve 16 pedidos em quatro anos. Não é que um xingasse menos ou fosse mais amado. É que a sensibilidade institucional mudou de governo.
O que antes era “liberdade de expressão exaltada” virou “potencial atentado simbólico”.
A República amadureceu. Hoje, ela se magoa.
Do Zé Pilantra ao perigo espiritual da montagem
O auge da bizarricomédia é o caso do “Zé Pilantra”. Uma montagem tosca (essa aí em cima), com Lula vestido como entidade religiosa e a frase:
“Não cobre o IPVA do meu Celta, Zé Pilantra”.
É aqui que o Estado brasileiro mostra seu preparo técnico seguindo o roteiro:
Disque 100.
Ministério Público.
Ministério da Justiça.
Polícia Federal de dois estados.
Inquérito.
Oitiva.
Arquivamento.
Tudo isso para concluir o óbvio: era só uma crítica política ruim, não um ataque espiritual coordenado contra religiões afro-brasileiras nem uma ameaça à democracia.
Mas até chegar a essa conclusão, o sistema inteiro trabalhou. Delegado, agente, promotor, juiz.
Gente que poderia estar investigando crime organizado, lavagem de dinheiro ou corrupção. Mas não. Estavam ocupados decifrando o humor involuntário de um Celta.
É o Estado brasileiro jogando Detetive com meme.
Cuidado quem você xinga no trânsito
Outro avanço civilizatório: gritar “Lula ladrão” virou uma experiência imersiva com a Polícia Federal.
Você pode estar atrasado, preso no trânsito causado pelo próprio comboio presidencial, gritar “ANDA, PORRA”, e acabar tendo que explicar oficialmente que não queria ofender ninguém, só estava puto.
Não é censura. É pedagogia democrática.
Fica aí lição:
Xingamento genérico = tolerável.
Xingamento histórico = contextual.
Xingamento clássico = inquérito.
Tudo depende da entonação, da placa do carro e do humor do Estado naquele dia.
A elasticidade da honra presidencial
O mesmo Estado que arquiva a fala de Pablo Marçal dizendo que Lula desviou R$ 1 trilhão, por entender que era crítica política, abre investigação por um nome de rede de wi-fi.
Ou seja:
Fake news bilionária: debate político.
Roteador irônico: potencial ameaça institucional.
A honra presidencial, descobrimos, não é frágil. É seletiva. Ela ignora o ataque grandioso e se ofende com o detalhe doméstico. O problema não é a calúnia. É a informalidade.
Conclusão: o Brasil que investiga o eco
Quase todos os inquéritos são arquivados. Engraçado que o próprio Ministério Público lembra que o presidente está mais exposto e deve tolerar mais críticas. O Lula já deveria saber disso há muito tempo, certo?
Mas o recado já foi dado antes do arquivamento. A investigação vira o recado, o processo a punição e a burocracia o constrangimento. Não precisa condenar. Basta cansar.
E assim seguimos, amiguinhos! Um país onde o crime organizado avança, mas o Estado para tudo quando alguém chama o presidente de ladrão, algo que, ironicamente, já foi gritado por aliados, adversários, juízes, delatores, capas de revista e pela própria História.
A diferença é que, agora, quem grita não disputa narrativa. Disputa paciência com a Polícia Federal.
O Brasil não vive uma crise de liberdade de expressão. Vive algo muito mais sofisticado. Uma fase em que o poder não se cala, mas se melindra.
E nada é mais perigoso do que um Estado com a autoestima ferida e tempo livre para investigar nome de wi-fi.




Caro Oscar, a tática é muito antiga (até o ladrão Paulo Maluf usou nos anos 80) e se trata de intimidar quem quiser tecer algum comentário desairoso, por exemplo, dizer que Lula é o maior filho da puta do Brasil contemporâneo ou o STF virou prostíbulo movido a propina, como é o caso dos 129 milhões pagos a Alexandre de Moraes pra defender, por dentro do tribunal, o bandido Vorcaro do Banco Master.
"57 pedidos de investigação por crimes contra a honra de Lula" , como investigar uma coisa que não existe ??? Lula que fique pianinho para não dar "motivo" para o laranjão vir "recolher" ele.