#Literatura: A ponte sobre o Drina, de Ivo Andric (2)
Uma obra-prima que é um curso de História, Geografia, Sociologia, mas acima de tudo, uma leitura prazerosa em centenas de páginas
Parte 2
Na primeira parte deste ensaio contei um pouco sobre a vida de Ivo Andric, autor nascido na Yugoslávia em 1892, vencedor do Nobel de Literatura em 1961 pela força de sua obra, em particular do romance histórico A ponte sobre o Drina. O livro divide-se em quatro partes que narram a evolução histórica e social de um vilarejo situado em torno de uma ponte em Visegrád.
A primeira parte inicia-se no ano de 1500 e estende-se até o momento da construção da ponte, e a subsequente estabilização da economia local. No século 16 o Império Otomano estava no auge de seu poder militar, expandindo-se profundamente pela Europa Central. A Bósnia era uma província crucial de fronteira. O romance começa abordando a realidade histórica do devshirme (”tributo de sangue”), sistema pelo qual o estado otomano recrutava à força jovens cristãos dos Bálcãs, convertia-os ao Islã e os treinava para se tornarem soldados de elite ou burocratas de alto escalão. Para dar início a essa travessia ficcional de 4 séculos, Andric utiliza um personagem histórico, o Grão-Vizir Mehmed Paşa Sokolović, um dos jovens levados à força para o exército dos mamelucos que subiu na vida, atingindo o cargo equivalente a um ministro-chefe. Marcado pelo trauma de sua infância, o vizir idealiza a ponte como um elo físico e metafórico para conectar o Oriente e o Ocidente.



