#Literatura: Coração das trevas, de Joseph Conrad(2)
Parte 2
Conrad caracteriza de formas bem distintas o homem branco e o africano. As palavras para descrever a aparência e o comportamento dos nativos são sempre fortes, com uma carga erótica maior (”selvagem”, “intenso”) e até chocantes para o europeu (”canibais”). A marca do primitivismo - sem juízo de valor - fica bem clara, por exemplo, ao se referir a um barco de nativos remando rio abaixo:
Eles gritavam e cantavam, seus corpos listrados de suor, vestiam máscaras grotescas mas tinham ossos, músculos, uma vitalidade selvagem e uma energia intensa.
Em contraposição, o homem branco é abastado, desleixado e letárgico, mas não menos poderoso,
flácido, fingido, demônio amoral capaz de uma loucura insaciável e sem misericórdia.



