Não É Imprensa

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#Literatura: "Eu, Philip Roth"

A forma como o autor tenta expressar sua perplexidade mediante a relação entre arte e vida

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Vivian Schlesinger
mar 16, 2026
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Parte 2

Nenhum Philip Roth nasce pronto. Nem Philip Roth. Ele cresceu, sofreu, cresceu mais um pouco por isso, sofreu mais um pouco por ter crescido, e assim foi, crescendo com cada nova dor, cada nova perda que se colocou em seu caminho. Como todos nós? Médio. Nem todos conseguimos aprender e crescer com as dores que surgem. Alguns se fecham na amagura, outros repetem os mesmos caminhos, em círculos. Roth aprendia com seu sofrimento e com o dos outros, que ele observava sem pudor. Compartilhava, escrevendo. Por isso é fácil detectar em seus livros a lenta substituição da arrogância pela tolerância, a viagem do olhar que começa no umbigo e termina no horizonte, a noção da auto-importância aos poucos se transformando em noção da auto-insignificância. Meus professores, no Primário (agora chama-se “Ensino Fundamental”, como se houvesse algum ensino que não é fundamental), quando dizíamos alguma bobagem (frequentemente), advertiam, “recolha-se à sua insignificância, menino!” — sábio conselho, mas ou inútil, porque era cedo demais, ou desnecessário, porque era tarde demais. Philip Roth conseguiu fazer seus protagonistas crescerem como personagens enquanto os obrigou, a cada novo romance, a recolherem-se mais e mais à sua insignificância.

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