#Literatura: "Meu passado nazista", de André de Leones(4)
A diferença entre uma família literária e uma família biológica é que a primeira é escolhida e pode ser compartilhada.
Parte 4
Nada como família. A família de um escritor é a família literária. A diferença entre uma família literária e uma família biológica é que a primeira é escolhida e pode ser compartilhada. Um autor que você gosta recomenda outro e você anota. Quando lê esse outro, descobre que ele tem ainda outros para recomendar. É uma árvore infinita. Em uma entrevista a Rogério Pereira, editor do Jornal Rascunho, André de Leones compartilhou parte de sua família literária: Thomas Pynchon, William Faulkner, Petrônio, Saul Bellow... Só? Nada menos do que gigantes! Como somar todos esses em uma receita (ou várias) e produzir algo novo? Vamos por partes, como recomenda Jack (o Estripador).
Thomas Pynchon (1937- ) é um excêntrico, para nossa sorte. É completamente recluso, não se deixa fotografar, não dá entrevistas, só escreve. E como escreve! Seus livros são imensos, mas não só no volume. Sua marca registrada é o uso de referências da cultura de massa em temas muito atuais, mas com uma linguagem sofisticada e estrutura complexa. A polifonia e variedade de estilos dentro de um mesmo romance abriram as comportas dos escritores trancados dentro de um narrador único e de uma suposta coerência estilística. Para Pynchon, vale tudo, contanto que cada palavra tenha uma razão para estar onde está. Seu romance mais famoso, Arco-íris da gravidade, de 1973, é uma espécie de encenação de um dos piores temores da geração pós-guerra: a destruição total. A linguagem varia entre culta, coloquial, e profana; os assuntos, entre fatos científicos, fatos duvidosos e até boatos (e que força têm os boatos!); as questões, da sociedade de consumo à tecnologia militar.


