#Literatura: O som e a fúria, de William Faulkner (3)
A obra em que Faulkner anunciou sua estética — interioridade complexa, pontos de vista mutáveis, o tempo tornado elástico e uma compaixão feroz, por vezes brutal, por seus personagens
Parte 3
O som e a fúria tem como marca mais forte a estrutura, dividido em quatro partes, cada uma narrada de uma perspectiva diferente, para representar a realidade fragmentada da família Compson, uma família da aristocracia sulista em declínio.
A primeira parte, narrada por Benjy (um homem com deficiência cognitiva), abandona quase totalmente a cronologia. Faulkner buscou reproduzir a experiência sensorial e associativa pré-linguística; a narrativa de Benjy é ancorada por gatilhos sensoriais — sons, cheiros, presenças físicas — que o projetam em memórias. O efeito é desorientador, porém poderoso: o leitor vive o trauma da família Compson como Benjy, por meio de um caleidoscópio de impressões guiadas pelo sentimento mais do que pela causa e efeito.



