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#Literatura: O som e a fúria, de William Faulkner (4)

A obra em que Faulkner anunciou sua estética — interioridade complexa, pontos de vista mutáveis, o tempo tornado elástico e uma compaixão feroz, por vezes brutal, por seus personagens

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Vivian Schlesinger
jul 20, 2026
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Parte 4

O som e a fúria (1929), de William Faulkner, é tanto um emblema quanto um caso-prova do romance modernista: formalmente arrojado, eticamente ambíguo e profundamente enraizado no terreno social e histórico do Sul dos Estados Unidos. A principal conquista de Faulkner neste romance é a dramatização formal da temporalidade e da perspectiva: o tempo é multiplicado e a memória é transformada em sensação encarnada. Os personagens voltam no tempo de modo fragmentado, eles mesmos desorientados em suas memórias, mas mesmo assim conservam a capacidade de senti-las como se estivessem acontecendo outra vez. Isso tem um efeito poderoso sobre o leitor.

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