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#Literatura: Pastoral americana, de Philip Roth: de Alex Portnoy a Levov, “o Sueco”

Pode-se dizer que o livro é sobre a destruição do Sonho Americano durante a turbulência social da década de 1960

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Vivian Schlesinger
mar 30, 2026
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Parte 4

Romances sobre trágicos desentendimentos entre gerações sempre me angustiam. Vistos de fora esses conflitos parecem solúveis, até no sentido químico da palavra, mas para os personagens, o único caminho válido é o seu. Lembro disso cada vez que vejo uma imagem das escadas de Escher, onde duas pessoas podem subir a mesma escada, mas terminam em pontos opostos. O paradoxo só é possível porque são regidas por gravidades diferentes. Enquanto uma sobe por uma face dos degraus, a outra sobe pela face oposta, portanto desce. Pensam que estão no mesmo caminho, mas uma termina em cima e a outra embaixo.

Um romance que me angustia e por isso já reli algumas vezes (se o escritor não for masoquista, não será escritor, vai vender livros de autoajuda) é Pastoral americana, de Philip Roth. Se você nunca leu, aqui vai o maior e melhor spoiler que você poderia querer: é uma tragédia onde um pai e uma filha, com versões análogas do mesmo sonho, terminam em pontos opostos da escada da vida. Ambos querem liberdade, autenticidade, harmonia para si e para outros, mas enquanto o pai galga os degraus que levam ao topo da escada, a filha desce ao inferno. E apesar de encontrar tudo que procura no topo da escada, acaba no inferno também. É o inferno dos pais que perdem os filhos.

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