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#Literatura: Paternidade: modo de usar (1)

Em Tirza, de Arnon Grünberg, um pai começa do amor e falha, falha de novo, falha melhor.

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Vivian Schlesinger
jun 15, 2026
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Parte 1

Imagine uma tragédia em 3 atos, onde o protagonista é um homem cujas várias falhas trágicas são castigadas, uma a uma, até que só reste a ele o amor que dedica à filha. Agora observe que os títulos dos atos (”O aluguel”, “O sacrifício” e “O deserto”) já indicam não um arco, mas uma queda contínua. E finalmente saiba que esse homem é seu vizinho, por quem você sempre nutriu um certo desprezo mas secretamente admirava. Ele se chama Jörgen Hofmeester, e sua filha, Tirza, personagem que dá nome ao romance de Arnon Grunberg, publicado na Holanda em 2006 (editado no Brasil pela Rádio Londres em 2015), considerado, em uma pesquisa entre críticos, acadêmicos e escritores europeus o romance mais importante do século 21, acima de As benevolentes, de Jonathan Littell, e de Sábado, de Ian McEwan, ambos vencedores dos mais prestigiosos prêmios literários no mundo.

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