Não É Imprensa

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#Literatura: Paternidade: modo de usar (2)

Em Tirza, de Arnon Grünberg, um pai começa do amor e falha, falha de novo, falha melhor

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Vivian Schlesinger
jun 22, 2026
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Parte 2

O personagem é complexo. Percebe-se a violência latente (às vezes nem tanto), a necessidade de controlar o incontrolável, a intolerância pelo outro, mas também enxerga-se a compaixão de que ele é capaz, ao chegar à Namíbia, perante uma criança que lhe oferece sexo. Nos dias em que ali fica à procura da filha, Hofmeester praticamente adota a criança, trata-a com delicadeza, com profundo respeito por seu sofrimento. Personagem de grande originalidade, Kaisa tem tamanho e voz de criança, mas a sabedoria para escutar de um ancião. Em seu silêncio e fome, faz aflorar o que resta de humano neste homem. Pouco a pouco, o leitor intui que esse Hofmeester não representa perigo, que seu lado violento já não vive. Só que não sabe onde e como foi a batalha desse homem consigo mesmo. A procura por esse momento obriga-nos a virar as páginas freneticamente, e ao mesmo tempo a desejar que o suspense não acabe.

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