Não É Imprensa

Não É Imprensa

#Literatura: Rebentar, de Rafael Gallo (2)

Em seu excelente romance de estréia, o autor é corajoso ao abordar um tema de enorme carga emocional sem medo do fantasma do sentimentalismo

Avatar de Vivian Schlesinger
Vivian Schlesinger
jun 08, 2026
∙ Pago

Parte 2

Durante os trinta anos, Ângela sempre volta a um cais abandonado onde o movimento incessante das ondas tem um efeito apaziguador. Há muitas referências às ondas e marés na literatura mundial para representar a passagem do tempo, mas em Rebentar a riqueza da metáfora das ondas do mar vai muito além do tempo:

Diante de seus olhos, o mar: a imensidão que parecia não ter fim, cuja margem oposta não se vê, bem como o fundo inalcançável e escuro. Mas o mar também era isso que chegava até ela e a cercava: essas águas cujo vapor ela podia respirar, nas quais poderia molhar suas mãos e adentrar com poucos passos.

Para ela, o mar visto do cais abandonado é a solidão espelhada. Imaginar-se submersa naquela imensidão é um consolo, um refúgio uterino para si ou quem sabe, para seu filho perdido.

O jovem escritor paulistano, que vive atualmente em Lisboa.

Esta publicação é para assinantes pagos.

Já é um assinante pago? Entrar
© 2026 Não é Imprensa · Privacidade ∙ Termos ∙ Aviso de coleta
Comece seu SubstackObtenha o App
Substack é o lar da grande cultura