#Literatura: Um escritor que ressuscita em palavras
Diogo Mainardi teve sorte de crescer em um momento de questionamento e reflexão, apesar da ditadura militar, ou talvez por causa dela — opostos ao atual momento, da ditadura do políticamente correto
Parte 1
Quando Diogo Briso Mainardi nasceu, em 1962, na Maternidade São Paulo, eu já sabia tudo, afinal estava quase completando 7 anos. Meu querido avô Benjamin, feito de uma poeira cósmica que não existe mais, levava as netas para brincar no parquinho bem ajardinado da Maternidade, a duas quadras da casa dele na mesma Rua Frei Caneca. Mas o tempo passou mais rápido para Mainardi do que para mim. Quando leio seus livros me parece que enquanto ele foi aprendendo tudo (arte, futebol, História, política, literatura, bolsa de valores, cinema, paternidade e mais uns 25 assuntos), eu nunca saí daqueles balanços.
A Maternidade foi demolida, São Paulo é demolida e construída, construída e demolida todos os dias. Mainardi construiu-se. A vida o demoliu algumas vezes, mas suas palavras se juntaram em tijolos, e a cada derrubada, escrevendo, ele se reergueu.



