#Livros: Arte e imaginação, Roger Scruton
Scruton é muito mais do que o mero ideólogo conservador que o neoconservadorismo brasileiro consegue conceber na sua infinita mediocridade
Há livros de filosofia que pretendem explicar a arte. Roger Scruton tenta algo mais profundo em Arte e imaginação. Ele pretende explicar por que a arte nos obriga a ver o mundo de um outro modo.
Publicado ainda no início da trajetória intelectual de Scruton, o livro nasce no encontro entre Kant, a fenomenologia europeia e a tradição analítica inglesa influenciada por Wittgenstein. Sua ideia central é que a experiência estética não é uma simples reação sensorial, nem uma emoção privada, mas um exercício da imaginação capaz de reorganizar aquilo que percebemos. Diante de uma pintura, de um poema ou de uma peça musical, não observamos apenas um objeto, passamos a habitá-lo interiormente. A imaginação torna-se, então, um modo de conhecimento que proporciona uma tomada de consciência.
A força do livro está na maneira como Scruton descreve a experiência estética como uma atenção desinteressada e contemplativa. Contra interpretações sociológicas ou utilitárias da arte, ele insiste que uma obra possui autonomia própria, um campo de sentido que não pode ser reduzido à política, à psicologia e muito menos ao mercado.


