#Livros: Introdução às Artes do Belo
No livro de Étienne Gilson, reencontramos uma inteligência que recusa o mero sentimentalismo romântico, mas também a superficialidade abstrata de quem acredita que qualquer coisa é arte
Étienne Gilson foi um pensador raro que uniu a precisão do historiador à inquietação do filósofo. Conhecido principalmente por seus estudos sobre Tomás de Aquino e também pela recuperação da metafísica medieval, ele nunca se contentou em viver apenas entre manuscritos e disputas eruditas.
Em Introdução às Artes do Belo, Gilson desloca sua atenção para o território da arte, como quem atravessa uma fronteira natural entre o pensamento do ser e o trabalho da forma. E o livro nasce exatamente dessa passagem: não como desvio tardio, mas como consequência de uma obra intelectual coerente.
Ao tratar da arte, Gilson conserva o mesmo temperamento de seus escritos maiores: clareza, rigor e desconfiança diante das abstrações vazias. Ele não se deixa seduzir por teorias que fazem do belo uma névoa subjetiva, nem por sistemas que reduzem a obra de arte a documento psicológico ou reflexo de um processo social. Seu interesse recai sobre algo mais sólido e, por isso mesmo, mais exigente: o ato de fazer arte. Para ele, a arte começa quando a inteligência encontra a matéria e a força a obedecer, mas sem impedir a sua resistência. Porque a matéria será sempre a limitadora da criatividade. Nessa visão, o artista é menos um sonhador inspirado do que um operário superior da forma.
Ao insistir que a arte pertence antes à ordem da produção do que à ordem do conhecimento, ele faz uma bagunça no mapa mental da estética moderna. A obra de arte deixa de ser simples objeto de contemplação e reaparece como resultado de escolhas, técnicas, limites e paciência. O belo, então, não flutua acima das coisas: encarna-se nelas.
Há também, nessas páginas, uma defesa implícita da disciplina contra a pressa. Gilson lembra que nenhuma criação durável nasce apenas do impulso. Mesmo a centelha inicial precisa atravessar a oficina, suportar correções e desesperos para submeter-se à medida. Esse elogio da técnica não diminui o mistério da arte, ao contrário, mostra que o mistério só se realiza quando encontra mãos capazes de sustentá-lo. Nesse tempos fascinados pela espontaneidade, a importância do fazer artístico, planejado, ensaiado e aprimorado, é a única saída para expurgamos a feiúra metafísica que contamina a arte contemporânea.
Ler a Introdução às Artes do Belo é reencontrar uma inteligência que recusa o mero sentimentalismo romântico, mas também a superficialidade abstrata de quem acredita que qualquer coisa é arte. Gilson sabe que a arte é disposição humana que coopera para expressar a beleza que não é mero ornamento, mas uma expressão formal daquilo que é mais importante no espírito humano.
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Introdução às Artes do Belo
Étienne Gilson
É Realizações, 2010.
224 páginas







Gostei, especialmente do Caravaggio! 🤗🏆👏🏻
PS:
Falando em belo, cadê meu crush? 👀
Toda sexta , o Danilo aparece nos meus sonhos, rs. Eita! ♥️🔥
Bom fim de semana, NEIM! Preciso descansar meu HD hoje 😂.