#NaGôndolaDoMainardi: A minha São Paulo
Enquanto os paulistanos comemoravam o afastamento de um prefeito corrupto, eu me ocupava de questões muito mais sérias
O Neim está republicando as crônicas que Mainardi escreveu para a revista Veja – e que a revista, curiosamente, excluiu do seu site.
A minha São Paulo
(publicado em 7 julho de 2000 - Veja, ed. 1652)
Enquanto os paulistanos comemoravam o afastamento do prefeito Celso Pitta, acusado de corrupção pela própria mulher, eu me ocupava de questões muito mais sérias, igualmente relativas a São Paulo. A caminhonete da distribuidora de gás, por exemplo. Existe problema maior do que esse? Diariamente, por volta das 9 da manhã, a caminhonete passa diante do flat em que estou hospedado, acordando-me com uma irritante versão eletrônica de Pour Elise, de Beethoven. A melodia fica o dia inteiro na minha cabeça, martelando-me, impedindo-me de raciocinar. É um obstáculo insuperável. Sempre que me ocorre uma pequena ideia, lá vem Beethoven para atrapalhar. Imagino que eu não seja o único a sofrer com isso. A caminhonete da distribuidora de gás certamente afeta outras pessoas, diminuindo a capacidade de trabalho da população e provocando milhões e milhões de dólares de prejuízo. Aliás, tenho uma dúvida: como é que a terceira cidade do mundo ainda funciona na base do bujão de gás?




