Não É Imprensa

Não É Imprensa

NelsonRodriguesExplica

A socialização do idiota transformou a mediocridade em virtude

Avatar de João Falstaff
João Falstaff
mai 30, 2025
∙ Pago

Os setenta anos de Gilberto Freyre

Nelson Rodrigues

[28/3/1970]

Nem sei por onde começar. Digamos que... Eis a verdade: estou naquela situação de Carlos Drummond de Andrade ao oferecer seu livro a Marques Rebelo. Na dedicatória, escreve o poeta nacional: – "A Marques Rebelo – sem palavras – Carlos Drummond de Andrade." Ao que eu saiba, poesia é uma arte de palavras. E se um poeta não as tem, poderemos talvez chamá-lo de antipoeta. Na melhor das hipóteses: – antipoeta.

Felizmente, o bom Carlos estava usando apenas um truque de sua prudência mineira. Não queria elogiar o romancista e o conseguiu. Eu diria que a minha situação é parecida: – faltam-me palavras para começar esta crônica. Queria escrever sobre a "socialização do homem". Digo mal. Não é bem do homem. O correto seria dizer a socialização do idiota.

Não sei se me entendem e tentarei explicar. Antigamente, o idiota era o primeiro a saber-se idiota; e babava fisicamente na gravata. Não andava, como agora, em massas, unanimidades, maiorias, assembleias etc. etc. Do berço ao túmulo, ele assumia a sua irreversível miserabilidade de idiota. O mundo dependia de sete, oito, dez ou vinte individualidades, fortes, criadoras, sim, individualidades que pensavam por nós, sentiam por nós, decidiam por nós.

Avatar de User

Continue lendo este post gratuitamente, cortesia de Não É Imprensa.

Ou adquirir uma assinatura paga.
Avatar de João Falstaff
Uma publicação convidada por
João Falstaff
João Falstaff é um falstaffianista, autoproclamado incorrespondente do NEIM em Brasília, a cidade que também “de dois efes se compõe”, como a Bahia no poema de Gregório de Matos.
Inscreva-se em João
© 2026 Não é Imprensa · Privacidade ∙ Termos ∙ Aviso de coleta
Comece seu SubstackObtenha o App
Substack é o lar da grande cultura