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Nelson Rodrigues queria explicar o homem através dos seus mitos e obsessões

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Lais Boveto
fev 05, 2026
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“O mundo é dos jovens”. A gloriosa atriz dá o mundo, de graça, de mão beijada. O sujeito tem dezessete, dezoito, vinte. Pronto. Toma o mundo. Mas vejam como, numa simples frase, está todo um crime, ou seja, o crime de dar razão a quem não a tem. O mundo só pode ser dos que têm razão. Mas a razão é todo um maravilhoso esforço, toda uma dilacerada paciência, toda uma santidade conquistada, toda uma desesperada lucidez. Não era bem assim que eu queria dizer. Faltam-me palavras. (Nelson Rodrigues, 1968)

Pondé escreveu um belo texto sobre Nelson Rodrigues em sua coluna da Folha. Daqueles que fazem brotar comentários azedos que confirmam exatamente o que diz o autor. Houve quem se compadecesse até mesmo das críticas que Nelson fazia a Dom Hélder, como se o escritor estivesse a ofender um sacerdote em pleno exercício do respeito pela sua batina. Isso mostra o “óbvio e ululante” acerto do autor: o “Padre de Passeata” – aquele tipo que instrumentaliza o clero para servir a partidos, trocando a transcendência pela “justiça social” terrena – ainda exerce um enorme apelo sobre o público que sente imensa alegria em defender ardorosamente quem o manipula.

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