#ORetornoDoBoiDePiranha
Eduardo Cunha quer voltar para a Casa. O enterro político foi apenas uma escala técnica para recarregar as emendas
Vivemos no Brasil da sangria estancada. Naquela famigerada conversa, entre Sérgio Machado e Romero Jucá, o Grande Acordo ficou explícito e, aparentemente, a sociedade assinou embaixo, aceitando, bovinamente, o que veio a seguir. Torcendo, inclusive, para dar tudo certo e Dilma ser chutada para longe. Quem não queria dar tchau para a querida?
Eduardo Cunha foi descrito nessa conversa como o “boi de piranha”. Aquele que seria sacrificado para salvar a corja toda. Cunha ficou preso por 4 anos e meio, somados o regime fechado e o tempo de prisão domiciliar. Foi o preço pago para que toda a classe política, “com Supremo, com tudo”, pudesse se ver livre das investigações da Lava Jato.
Para refrescar a memória, aqui vai uma parte do diálogo:
JUCÁ - Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. [...] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.
MACHADO - Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].
JUCÁ - Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.
MACHADO - É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
JUCÁ - Com o Supremo, com tudo.
MACHADO - Com tudo, aí parava tudo.
JUCÁ - É. Delimitava onde está, pronto.
MACHADO - O Renan [Calheiros] é totalmente ‘voador’. Ele ainda não compreendeu que a saída dele é o Michel e o Eduardo. Na hora que cassar o Eduardo, que ele tem ódio, o próximo alvo, principal, é ele. Então quanto mais vida, sobrevida, tiver o Eduardo, melhor pra ele. Ele não compreendeu isso não.
JUCÁ - Tem que ser um boi de piranha, pegar um cara, e a gente passar e resolver, chegar do outro lado da margem.
Sim, o impeachment foi um golpe. Mas não contra a aberrante incompetência da “presidenta mais honesta” que já existiu – esse mantra que a militância, das redes sociais às bancas acadêmicas, tenta converter em verdade histórica à base da pura repetição. Foi um golpe contra a Lava Jato. E ainda vivemos nesse climinha golpista, assistindo os personagens serem descondenados e ressuscitados. Agora, mais um morto está em processo de ressurreição. O boi de piranha quer voltar ao rebanho.




