#ParabénsAoWagnerMoura
É admirável como um artista talentoso consegue converter um investimento público em um sermão moral contra o próprio público
A classe artística parece cada vez mais à vontade para sustentar a tese de que sem o Estado “esclarecido” e progressista, não existe vida inteligente no país. Com muito dinheiro no bolso e prêmios pulando para suas mãos, todos são gratos aos milagres de São Lula.
Mario Sabino, como sempre, sabe bem qual é o milagre:
Assim como Bolsonaro, Lula é de uma ignorância crassa, já disse que ler é tão chato quanto fazer esteira, mas teve a esperteza de continuar afável com intelectuais e artistas, em complemento à distribuição farta de dinheiro público.
Mas a oposição ao PT não parece interessada em ser nem esperta nem afável, prefere o confronto estéril nas redes sociais. E quando tenta ser mais estratégica, só enxerga o modelo existente para imitar com sinal trocado.
Não se destrói uma ferramenta útil apenas porque ela parece servir somente ao inimigo; você toma a ferramenta e aprende a usá-la melhor do que ele. Quando, no governo Bolsonaro, a oposição abdicou do fomento e jogou todo seu ressentimento na classe artística – bem como nos jornalistas e professores –, a oposição assinou o atestado de que a cultura pertence, por direito divino, apenas a um lado do espectro. Agiram como quem herda uma fábrica, mas em vez de trocar o molde dos produtos, decidiram cortar a energia elétrica com medo que o PT voltasse. Voltou.



