A frase "somos, mesmo, todos descendentes do estupro" é retoricamente chocante e eficaz. E é, mais ainda, conceitualmente precária, historicamente enviesada e logicamente insustentável. Portanto, é o exemplo acabado do que acontece quando a indignação moral toma o lugar da análise, e quando a estatística serve menos à compreensão do que à confirmação de certezas ideológicas. Tudo começa com uma leitura apressada de dados demográficos. Daí até a sentença coletiva sobre a origem da nação, o salto é tão grande quanto voluntarista.
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