#PolíticaPerformática
Isso está se espalhando mais que o vírus da COVID em 2020.
Nikolas Ferreira ruivo
Você viu que o vereador Adrilles Jorge passou batom, colocou uma peruca e começou a gritar na Câmara de São Paulo.
A cena viralizou. E aconteceu o inevitável: o assunto virou figurante. O Adrilles virou o protagonista da parada.
Eu já vi isso antes. Foi a mesma coisa quando o deputado Nikolas Ferreira colocou uma peruca loira pra discursar na Câmara.
Isso foi em 2023 e, provavelmente, você não lembra o motivo. Mas lembra quem fez.
Qual era mesmo o projeto que ele estava criticando?
Esse é o ponto.
A ironia visual funciona muito, mas esclarece quase nada.
E isso não é exclusivo deles. É um modelo de comunicação que está se espalhando em diferentes espectros.
Basta observar alguns discursos da Erika Hilton sobre o mesmo assunto. O modus operandi é o mesmo.
Se o objetivo é engajamento, parabéns. Tanto pro Adrilles quanto pro Nikolas e pra Erika.
E não é ironia. Eles são muito bons na persuasão performática.
A performance circula mais do que a ideia.
Daqui a alguns dias, pouca gente vai lembrar do texto da lei que o Adrilles criticou.
Mas todo mundo vai lembrar do cara de peruca gritando numa Câmara que deveria ser espaço de debate sério.
Mas cada um joga pra sua torcida.
Quem é fã, curte. Quem discorda, passa pro próximo vídeo.
E ninguém escuta ninguém. Pouca gente está realmente prestando atenção.
A gritaria entra como peça central disso. Isso não é descontroledele, é ferramenta.
Quando o mágico aponta pra uma mão, a moeda está na outra. Tem nome:
MISDIRECTION.
No caso do Adrilles, o grito desorganiza o raciocínio do outro.
O exagero cria tensão. O confronto impede quem está assistindo de perceber nuance.
Eu já vi várias vezes ele se defendendo dando uma justificativa confortável:
“É o meu jeito”.
Mas cargo público não é extensão de personalidade. É responsabilidade. Inclusive com quem não te elegeu.
Se “jeito” vira argumento, qualquer coisa passa a ser aceitável.
Eu grito porque é meu jeito. Eu distorço porque é meu jeito. Eu ridicularizo porque é meu jeito.
Se for assim, não existe limite.
E esse tipo de comportamento vai além da cena ridícula. Ele escala.
Começa com alguém falando mais alto. E depois grito. E depois ofensa. E depois ataque. Sempre escala.
E quando você percebe, não existe mais conversa. O diálogo cede espaço pra disputa.
A gente olha para conflitos do outro lado do mundo como se fossem distantes demais da nossa realidade.
Mas, guardadas as proporções, a lógica é a mesma.
Ninguém solta uma bomba do nada.
Começa um conflito que ninguém soube conter.
Aqui, em escala menor, a gente ensaia isso todos os dias. Transformando discordância em briga.
Perigoso, especialmente em ano eleitoral.
A dúvida que fica é: é isso que eles têm pra oferecer?
Erika Hilton, Adrilles Jorge e Nikolas Ferreira são muito mais inteligentes do que a histeria política que apresentam.
Nesse caso, a peruca nunca foi o problema.
O problema é que ninguém está discutindo a lei.
Estão discutindo a si mesmos. E o próximo passo da própria carreira.
E só.




Rapaz você está supimpa. Baita análise.
O melhor artigo do Oscar no NEIM!!