#RepúblicaDeAlcolumbres
O áudio de Davi Alcolumbre não revela um escândalo. É apenas mais uma prova, entre muitas, de que pagamos caro para garantir que os "negócios" da "classe política" continuem prosperando
Ainda alimenta alguma ilusão com as instituições do Brasil? Ouça o áudio de Davi Alcolumbre e perca todas de uma vez.
“O nosso prefeito de Macapá, no meu ponto de vista, é um personagem que está vivendo do nosso trabalho, da nossa atuação enquanto senadores e governador, e de tudo o que a gente fez pela cidade. Ele desconsidera tudo o que a gente faz, querendo ganhar os louros só para ele, para a mulher dele, para o irmão dele e para o filho dele.”
Feudo? Capitania hereditária? Lavoura particular? Pouco importa. Alcolumbre suou demais a camisa para ficar sem os louros da maravilha que é a capital do Amapá. Diante desse cenário, a existência de um Tribunal de Contas no Amapá faz tanto sentido quanto a existência das demais instituições “republicanas” do país:
“Então é o seguinte, a gente vai comunicar o TCE desse nosso acesso à Justiça e, na terça-feira, eu já mandei aprovar as contas do nosso governador, que era prefeito, Clécio Luís. Eu vou apresentar na terça-feira pra nossa base aprovar. E, aprovando terça-feira, eu tô preparando na próxima semana — sem ser essa, na outra já — a primeira CP, a comissão processante [...] Começou a guerra. O que é que o senhor acha?”
Com a naturalidade de quem pede um pão na chapa, o PRESIDENTE DO SENADO FEDERAL – aquele que só alcançou esse posto pela segunda vez por ter contado com apoio do Lula e do Bolsonaro – participa de uma conversa que envolve prevaricação, abuso de poder e tráfico de influência. Ele negocia o destino do Amapá diretamente com Pedro DaLua, o então presidente da Câmara e hoje prefeito interino, que aparece no áudio como um subordinado cumprindo ordens para destruir o adversário comum, o prefeito Dr. Furlan.
DaLua é, hoje, prefeito interino por obra e graça de Flávio Dino. Com uma canetada providencial, Dino ordenou o afastamento de Dr. Furlan. A desculpa oficial foi uma investigação sobre fraudes na construção de um hospital. A verdade, porém, todos nós sabemos, depois da finada Lava Jato, nenhum político é afastado por fraudes, roubalheira, corrupção. Todos são da escola Lula de política: um político que rouba jamais deve submergir, deve mesmo ir para cima dos seus acusadores.
Na conversa de Alcolumbre e DaLua o motivo fica bastante evidente: Furlan cometeu o maior de todos os crimes políticos, exibia 85% de aprovação e recusava-se a beijar a mão do consórcio alcolumbrista. Com um único despacho, Dino serviu a prefeitura numa bandeja de prata para a patota que havia perdido feio nas urnas.
Mais um detalhe sórdido: a esposa do senador Randolfe Rodrigues, inimigo ferrenho de Furlan, atua como assessora jurídica no gabinete de Dino. Todos saem felizes.
Com a saída de Furlan, Pedro DaLua assumiu a prefeitura e, num passe de mágica, a vaga aberta na Câmara foi ocupada por Josiel Alcolumbre, irmão do iluminado Davi.
E para garantir que toda essa manobra ficasse “limpa”, a MacapáPrev passou por um providencial assalto. Com um rombo de R$ 221 milhões, deixado pelo grupo de Alcolumbre, a sede do órgão foi invadida por “ladrões” que não precisaram quebrar nenhuma porta para levar apenas os notebooks do setor financeiro e apagar as imagens das câmeras.
Tudo isso enquanto Alcolumbre, em Brasília, enviava ofícios para si mesmo para liberar R$ 379 milhões em emendas, destinando R$ 30 milhões para a construtora de seu suplente, Breno Chaves, flagrado pela Polícia Federal com R$ 350 mil em dinheiro vivo entrando no carro de familiares de Alcolumbre.
Nesse balcão imundo, Alcolumbre tem a convicção de que ele é um trabalhador, que garante, com seu próprio esforço, que o Amapá exista. Ele não titubeia em considerar que “tudo” o que “ele faz” por Macapá merece reconhecimento e gratidão.
Não é a primeira vez que um áudio revela de que matéria Alcolumbre é feito. Em 2021, a revista Veja expôs outra gravação em que o então deputado federal prestava um comovente socorro a um amicíssimo desembargador, que se tornou presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá.
O magistrado precisava exonerar uma funcionária após o surgimento de “rumores” de sua proximidade com a moça. Para não deixar a protegida desamparada e disposta a falar demais, o juiz recorreu ao amigo Davi. E Davi assumiu a fatura do constrangimento, com o nosso dinheiro, claro.
Na gravação, Alcolumbre combinava tranquilamente o pagamento de uma mesada de R$ 5 mil à ex-funcionária, com direito a férias e 13º, além de discutir a melhor forma de ajudá-la a comprar um carro novo. Tudo sem ela ter que cumprir nem um minuto de expediente.
A imprensa passa os dias alardeando que a iminente delação de Vorcaro “vai derrubar a República”. O problema é enxergar alguma República para ser derrubada sob os sapatos sob medida de um Alcolumbre ou de um Flávio Dino ou até do tal DaLua.
“Tô todo arrepiado” diz o DaLua ao ouvir os planos de Alcolumbre para aparelhar o Judiciário e o Legislativo contra seus rivais. Quem não ficaria arrepiado ao ver o inferno, não é mesmo?





A minha maior supresa nesse relato que é a cara atual do Bostil é saber que o Randolfe tem esposa !!!
Nosso Bostil é uma brasa!