#SóAArteSalva(1)
Enquanto indignados sobrevivemos, fazendo da arte nossa companheira
Há algo que nos une e nos envolve. Me refiro à desesperança e desânimo. A vida é muito mais do que torcida política, fanatismos em disputas. A vida já é difícil demais com o que nos é certo: impostos e a morte. Estamos atrasados na transcendência.
A indignação se torna permanente. E cada vez mais pesada. O mundo político, em toda a sua dimensão e alcance, nos mantém cativos neste círculo vicioso, enfeitiçados no tempo eterno e imutável. Hoje, como ontem e sempre, é dia da marmota
O caminho é longo e não sabemos se ao fim e ao cabo, conseguiremos alcançar nosso destino. Corremos em sua direção, com o dobro da velocidade, e ainda assim não saímos do lugar.
Resta-nos um alento: a arte nos salva. A arte nos salva de nós mesmos e de nossas circunstâncias. A arte nos salva de nossas loucuras e depressões.
A arte salvou o velho mundo, salvou Tintoretto, salvou Mainardi. Agora resta salvar a mim, e a você.
A arte, com seu poder transformador, lança luz sobre nossa existência. Toca em nossa dor. Mesmo sem trazer alívio imediato, concede-nos sentido. Tece em nós beleza e inspiração. E assim continuamos nossa jornada.
Paul McCartney já nos revelou: escrever música é como conversar com o psiquiatra.
Para lhe dar razão, posso citar The Long and Winding Road, gerada e nascida num momento de crise. Paul buscara refúgio em sua fazenda. Inspirado no cenário escocês de montanhas e estradas sinuosas, seu combustível seria a melancolia do momento que vivia. Os desencontros, incertezas sobre o futuro, o vazio existencial, diante do sucesso do passado, era mera nostalgia. E pouco lhe serviam.
Essa angústia se revela no compassado ritmo da melodia. McCartney imaginou Ray Charles cantando e tocando ao piano.
Vivemos momentos semelhantes? Onde está o fim da aflição? A estrada que nos conduz à sua porta, nunca desaparecerá. Resta saber se conseguiremos recuperar a esperança. Enquanto caminhamos, em fé, levemos a arte conosco.
Não me deixe aqui parado.
Mostre-me o caminho.
Não me deixe aqui esperando.
Leve-me até à sua porta.





Excelente, Volney!!
Que sensibilidade, Volney. Maravilha de texto, maravilha de música, maravilhosa é a nossa vida. Então, vamos nos dar um tempinho, esquecer a Banânia e os seus medíocres, para ouvir essa obra de arte que é “The long and winding road”..