#VenezuelaInviável
Para os executivos das petroleiras, o colapso produtivo e a instabilidade política pesa mais do que o tamanho das reservas no momento de tomar decisões bilionárias
As grandes petroleiras internacionais condicionaram qualquer retorno consistente à Venezuela a garantias jurídicas, financeiras e políticas, segundo relataram jornais brasileiros, americanos e europeus. Em reunião recente com Donald Trump, executivos de empresas como ExxonMobil, Chevron e ConocoPhillips deixaram claro que o país, apesar de deter as maiores reservas de petróleo do mundo, segue sendo visto como um ambiente de alto risco para investimentos de longo prazo.
Trump tenta convencer o setor privado a liderar a reconstrução da indústria petrolífera venezuelana, sem uso direto de recursos públicos dos EUA. O presidente acena com promessas de proteção a ativos e retorno financeiro, mas as empresas lembraram episódios passados de expropriações, contratos rompidos e insegurança regulatória, que tornaram a Venezuela “inviável” aos olhos dos executivos.
Nos Estados Unidos, veículos como Reuters, Axios e Barron’s destacaram o tom cauteloso das petroleiras. Embora reconheçam o potencial técnico de elevar rapidamente a produção — sobretudo com infraestrutura já existente —, as companhias afirmam que só avançarão se houver mudanças claras nas leis de hidrocarbonetos, garantias internacionais e algum tipo de mitigação de risco, seja por meio de acordos bilaterais ou apoio financeiro institucional.
Na Europa, jornais como Le Monde enfatizaram o contraste entre o entusiasmo político de Washington e a frieza empresarial. A cobertura europeia ressalta que a indústria petrolífera global aprendeu a precificar riscos políticos e que o histórico recente da Venezuela, marcado por colapso produtivo e instabilidade institucional, pesa mais do que o tamanho das reservas no momento de tomar decisões bilionárias.
No pano de fundo, a história revela um impasse clássico: a Venezuela precisa desesperadamente de capital e tecnologia para recuperar seu setor petrolífero, enquanto as empresas exigem previsibilidade e segurança para investir. Entre promessas presidenciais e a memória de nacionalizações traumáticas, o retorno das grandes petroleiras segue condicionado não ao petróleo disponível no subsolo, mas às regras que serão aplicadas acima dele.






Acho que o Trump esqueceu de combinar com as petroleiras antes de destituir o Maduro. Lembra-me de Napoleão respondendo a um militar sobre qual era o plano após a invasão a um país, “depois a gente vê o que faz”.
As petrolíferas estão erradas?