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Que o desconforto volte a ser parte legítima da vida

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Renato Corrêa
jan 06, 2026
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Nassim Taleb cunhou o termo antifrágil. Se fragilidade é a característica de se tornar fraco quando exposto ao estresse, a antifragilidade consiste no oposto: a capacidade de se tornar mais forte sob estresse. Uma taça de cristal é frágil — pode trincar ou quebrar sob pressão física. Já a antifragilidade é uma característica das árvores, por exemplo. O tronco de árvores expostas ao vento cresce mais forte do que o de árvores que crescem em estufas. O mesmo pode ser dito dos nossos músculos e do nosso sistema imunológico: o estresse faz com que ambos se tornem mais robustos. Se há algo que desejo para 2026, é mais antifragilidade para todos.

Nos últimos anos, passamos a vislumbrar um mundo sem riscos sociais. Superprotegemos nossas crianças do mundo real. Compramos — e os coaches venderam — a ideia de acabar com os problemas da vida por meio da motivação e do pensamento positivo. A cultura popular americana apostou em filmes esquemáticos, com histórias “inclusivas”, e em remakes de sucessos passados, tudo para evitar controvérsias num mundo dominado pelo discurso do ressentimento e do vitimismo. Pela primeira vez na história, o mundo da moda parece congelado. Na prática, tudo isso está nos levando a um mundo mais sem graça e menos colorido — literalmente, já que o cinza vem se tornando a cor predominante dos objetos ao longo das décadas (ver imagem abaixo).

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