#MoraesIntimida
As consequências de investigar uma autoridade.
O Supremo existe para proteger o cidadão contra abusos do Estado.
Agora, o que acontece quando um ministro do Supremo usa o Estado contra um jornalista que publicou uma denúncia envolvendo outro ministro do Supremo?
Luís Pablo, que é um jornalista do Maranhão, levantou uma suspeita sobre o possível uso de um carro oficial pelo ministro do STF Flávio Dino e seus familiares.
O jornalista Luís Pablo
Só que, em vez de esclarecer a denúncia sobre o uso de dinheiro público, o Estado foi atrás do JORNALISTA. E é aí que a história fica assustadora.
Porque o ministro Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal apreendesse equipamentos usados pelo jornalista
A justificativa oficial foi uma suspeita de monitoramento ilegal da segurança do Dino.
Acessaram conversas no WhatsApp e foi assim que chegaram até a fonte que deu a informação.
Levaram um computador que guardava muito mais do que aquela reportagem: comunicações e a vida profissional do jornalista.
Só que a Constituição garante o sigilo da fonte jornalística no artigo 5º.
ART. 5º • INCISO: É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.
Mas, na prática, a constituição não serviu pra nada. Isso é absolutamente autoritário.
Apesar do que muita gente da direita diz, a gente não está vivendo sob uma ditadura.
Mas ditaduras também são construídas assim. Uma garantiazinha é desrespeitada aqui. Um abusozinho é tolerado ali. E aquilo que seria um absurdo começa a parecer normal.
Durante a ditadura militar, censores decidiam o que o brasileiro poderia ou não saber. No Estadão, mais de mil matérias foram vetadas. O Jornal da Tarde colocava receitas no lugar das notícias proibidas.
Doces e salgados. Um manancial pras recatadas e do lar!
Naquela época, tinha um censor dentro da redação. Hoje, nem precisa disso.
Quando um jornalista tem os equipamentos apreendidos por investigar uma autoridade, isso já serve como recado do tipo:
“Se mexerem com a gente, a gente pode mexer com vocês.”
Agora, consegue imaginar a próxima denúncia envolvendo alguém do Supremo?
Talvez ninguém precise proibir a reportagem, porque o próprio medo vai se encarregar disso.
Foi uma decisão individual do Alexandre de Moraes, mas a sociedade não descola a imagem dele da imagem do Supremo.
A imagem dele já tá desgastada pela concentração de poder, aí acaba arrastando a instituição junto.
Liberdade de imprensa termina quando o medo faz o jornalista se calar antes mesmo de escrever.








Realmente assustador. De forma geral quando a justiça erra muito se perde. E vem errando muito. Não sejamos míopes e felizes quando erram com alguém com quem não concordamos.
A nova lógica é de que a Constituição pode ser violada à vontade, só precisa ter a justificativa certa. Eu não sou bolsonarista, mas acho que o julgamento dos vandalos do 8/1 consolidou a era da relativização da Constituição. E o marco inicial dessa era foi o inquérito das fake news que teve o site do Diogo Mainardi como alvo inaugural