#NegócioFechado
O que a Netflix e Suzane von Richthofen ensinam sobre o mercado do crime.
Teremos um Ted Talks com Suzane von Richtofen?
A Netflix pagou R$ 500 mil pra Suzane von Richthofen. Pra ela mesma contar como planejou a morte dos pais. O mercado usa uma palavra bonita pra isso: investimento.
O título provisório do documentário é, literalmente, Suzane Vai Falar. Mas ela não pode dizer que foi paga pra isso. Tem uma cláusula de confidencialidade vitalícia no contrato. Ela pode contar com detalhes como planejou a morte dos pais, mas não pode revelar o valor que recebeu pra contar essa história.
A confidencialidade do mercado superou o crime.
O problema não é só a Suzane. Ela respondeu pelo crime. Saiu da cadeia. Casou. Teve filho. Tentou se formar em direito. Hoje vende sandálias customizadas. A loja tem 150 mil seguidores. (E vai aumentar com esse documentário).
O problema também é o sistema que transforma assassinato em propriedade intelectual. Que faz o PIX e depois exige sigilo. Porque crime, no mercado certo, vira conteúdo.
Ela soube o que fez. O mercado também sabe. E os dois fecharam negócio.
E onde isso pode parar? Porque a lógica que justificou o documentário justifica o próximo passo. Ela já tem a história de superação. O mercado adora um arco. De assassina a influenciadora tem tudo pra ser best-seller de autoajuda daqui a dois anos.
Alguma empresa pode contratá-la pra dar palestra sobre resiliência. Se alguém reclamar, o jurídico responde: “Mas ela já cumpriu a pena. Um cidadão não tem direito de recomeçar?”
Claro que tem. Mas às custas de dois assassinatos?
Foi isso que fez a loja de sandálias dela bombar. As pessoas exigem que as sandálias sejam feitas por ela. Ou as sandálias são tão espetaculares que justifiquem 150 mil seguidores?
O mercado ensina que planejar um crime pode ser mais lucrativo do que uma vida inteira honesta.
Enquanto ela é recompensada com 500 mil reais, os pais dela continuam mortos. E o irmão, afastado de tudo e de todos, carregando isso até hoje.




Cara, deu até enjoo de ler isso...Aonde vamos chegar? Triste.
Vou pedir licença para ir vomitar lá fora. E o melhor que podemos fazer é boicotá-la e não ver esse programa.