Surto judeofóbico de Jessé de Souza me faz revisitar um artigo que escrevi há 20 anos e um tema pouco explorado por estudiosos do antissemitismo: o papel soviético no atual quadro de ódio aos judeus.
Emerson, as táticas são as mesmas há décadas. Não há nada de novo sob o sol. Nem os "argumentos" mudam. O que varia um pouco são algumas das acusações, embora todas sejam "clássicas", e a categoria de quem as aplica. Por exemplo, antigamente só antissemitas religiosos usavam o mito do "judeus assassinaram Jesus". Hoje vemos até comunistas ateus metendo essa. O pretexto palestino era quase exclusivo dos antissemitas de esquerda, mas hoje está no top 5 do repertório dos neonazistas. Bateram tudo no liquidificador e agora servem a mesma papinha para todos, democraticamente.
A influência soviética sobre parte da intelectualidade de humanidades é um verdadeiro caso de estudo psiquiátrico.
Nos anos 1930, por exemplo, a Internacional Comunista criou uma definição de “fascismo” sem qualquer base histórica, mas que se enraizou tão profundamente na academia que, um século depois, ainda é repetida como dogma.
O mesmo ocorre com o antissemitismo de matriz soviética. Hoje vemos, como no caso de Jessé de Souza, que muitos "acadêmicos" ainda acreditam nos Protocolos dos Sábios de Sião.
Nessa hora, o pensamento crítico brilha pela sua ausência.
Parênteses: engraçado como Noam Chomsky, que escreve sobre como a população é manipulada pela mídia, foi convencido de que Lula é inocente.
Eu morei e estudei na URSS. Aqui estão dois exemplos que vivenciei, que mostram o antissemitismo estrutural soviético:
• Um colega judeu teve a entrada barrada no Komsomol da Faculdade de Biologia da Universidade Estatal de Moscou. Pela discussão, parece que fazia muito tempo que nenhum judeu tinha tentado ingressar nessa organização do partido comunista.
• Só em 1986, já na perestroika, judeus foram aceitos pela primeira vez na especialidade de Biologia Molecular, antes totalmente vetada a eles (e a estrangeiros).
Sobre a Universidade da Amizade dos Povos Patricio Lumumba, localizada também em Moscou, era um excelente lugar para a diversão no final de semana, e lugar de adquirir produtos do mercado negro, quando os mesmos sumiam dos mercados da cidade.
Celso, seu relato é importantíssimo como ilustração do que era o clima na ex-URSS em relação aos judeus. Você já leu as memórias do Natan Sharkansky, um judeu refuzenik que penou anos e anos nas prisões soviéticas por ser sionista e pretender emigrar para Israel?
Victor, obrigado! Ainda não li as memórias do Natan Sharansky, mas vou procurá-las.
No livro História Mínima de Israel, Mario Sznajder relata que Stalin ficou profundamente irritado ao ver o entusiasmo com que os judeus soviéticos receberam Ben-Gurion durante sua visita à URSS. A partir daí, a relação com Israel mudou completamente. É um contraste histórico curioso: a URSS foi uma das primeiras a reconhecer o Estado de Israel e chegou a ajudá-lo militarmente — via Tchecoslováquia — durante a guerra de 1948 contra os países árabes. Pouco depois, porém, transformou-se em inimiga declarada, fomentando propaganda antissemita e oferecendo apoio militar aos regimes que desejavam eliminar Israel.
Quando a URSS colapsou em 1991, eu ainda trabalhava em Moscou, em um instituto de pesquisa. Com os cortes de pessoal e a situação econômica precária, a maioria dos meus colegas judeus emigrou para Israel, sem maiores problemas. Estima-se que cerca de 80% dos imigrantes vindos da ex-URSS tinham qualificação equivalente a doutorado ou superior. Sem dúvida, foi uma contribuição extraordinária — ainda que involuntária — que a URSS acabou oferecendo a Israel.
Wow, Victor, quanta informaçāo importante, fatos cuja existência eu nem desconfiava. Agradeço, apesar de que foi mais uma gota de ácido na minha gastrite.
Perfeito!
Artigo de fôlego! Parabéns! Quanto ao oligofrênico Jessé, ele passará, e nós, passarinho, como disse o grande Mário Quintana.
Artigo de fôlego! Só agradeço! Parabéns!
Parabéns, Victor.
Jessé de Souza é uma nulidade que só consegue algum protagonismo por "pastar" a mesma erva daninha que alimenta os esquerdófilos tupiniquins.
Texto excelente, esclarecedor e com informações importantes.
Parabéns, Victor.
Por favor, mantenha os leitores atualizados para que possam ter claro as táticas desses aloprados antissemitas e afins.
Emerson, as táticas são as mesmas há décadas. Não há nada de novo sob o sol. Nem os "argumentos" mudam. O que varia um pouco são algumas das acusações, embora todas sejam "clássicas", e a categoria de quem as aplica. Por exemplo, antigamente só antissemitas religiosos usavam o mito do "judeus assassinaram Jesus". Hoje vemos até comunistas ateus metendo essa. O pretexto palestino era quase exclusivo dos antissemitas de esquerda, mas hoje está no top 5 do repertório dos neonazistas. Bateram tudo no liquidificador e agora servem a mesma papinha para todos, democraticamente.
Verdade. Obrigado Victor.
Excelente texto — e muito necessário.
A influência soviética sobre parte da intelectualidade de humanidades é um verdadeiro caso de estudo psiquiátrico.
Nos anos 1930, por exemplo, a Internacional Comunista criou uma definição de “fascismo” sem qualquer base histórica, mas que se enraizou tão profundamente na academia que, um século depois, ainda é repetida como dogma.
O mesmo ocorre com o antissemitismo de matriz soviética. Hoje vemos, como no caso de Jessé de Souza, que muitos "acadêmicos" ainda acreditam nos Protocolos dos Sábios de Sião.
Nessa hora, o pensamento crítico brilha pela sua ausência.
Parênteses: engraçado como Noam Chomsky, que escreve sobre como a população é manipulada pela mídia, foi convencido de que Lula é inocente.
Eu morei e estudei na URSS. Aqui estão dois exemplos que vivenciei, que mostram o antissemitismo estrutural soviético:
• Um colega judeu teve a entrada barrada no Komsomol da Faculdade de Biologia da Universidade Estatal de Moscou. Pela discussão, parece que fazia muito tempo que nenhum judeu tinha tentado ingressar nessa organização do partido comunista.
• Só em 1986, já na perestroika, judeus foram aceitos pela primeira vez na especialidade de Biologia Molecular, antes totalmente vetada a eles (e a estrangeiros).
Sobre a Universidade da Amizade dos Povos Patricio Lumumba, localizada também em Moscou, era um excelente lugar para a diversão no final de semana, e lugar de adquirir produtos do mercado negro, quando os mesmos sumiam dos mercados da cidade.
Celso, seu relato é importantíssimo como ilustração do que era o clima na ex-URSS em relação aos judeus. Você já leu as memórias do Natan Sharkansky, um judeu refuzenik que penou anos e anos nas prisões soviéticas por ser sionista e pretender emigrar para Israel?
Victor, obrigado! Ainda não li as memórias do Natan Sharansky, mas vou procurá-las.
No livro História Mínima de Israel, Mario Sznajder relata que Stalin ficou profundamente irritado ao ver o entusiasmo com que os judeus soviéticos receberam Ben-Gurion durante sua visita à URSS. A partir daí, a relação com Israel mudou completamente. É um contraste histórico curioso: a URSS foi uma das primeiras a reconhecer o Estado de Israel e chegou a ajudá-lo militarmente — via Tchecoslováquia — durante a guerra de 1948 contra os países árabes. Pouco depois, porém, transformou-se em inimiga declarada, fomentando propaganda antissemita e oferecendo apoio militar aos regimes que desejavam eliminar Israel.
Quando a URSS colapsou em 1991, eu ainda trabalhava em Moscou, em um instituto de pesquisa. Com os cortes de pessoal e a situação econômica precária, a maioria dos meus colegas judeus emigrou para Israel, sem maiores problemas. Estima-se que cerca de 80% dos imigrantes vindos da ex-URSS tinham qualificação equivalente a doutorado ou superior. Sem dúvida, foi uma contribuição extraordinária — ainda que involuntária — que a URSS acabou oferecendo a Israel.
Dois em um,que valem uma boa lida.
Obrigado pela aula. A esquerda tem que ser exposta e confrontada pelo que fez, seja qual for a área em que tenha atuado.
Excelente texto, muito esclarecedor.
Wow, Victor, quanta informaçāo importante, fatos cuja existência eu nem desconfiava. Agradeço, apesar de que foi mais uma gota de ácido na minha gastrite.
Ainda não inventaram uma tecnologia que incorpore um Pepsamar a um post. Mas acho que é questão de tempo…
Impressionante, o tempo passa e o trem não muda...